Estação de controlo apta a receber energia do mar, em Aguçadoura
Póvoa de Varzim, Outubro, 2007 - Aguçadoura foi o local escolhido para a instalação do primeiro Parque de Ondas a nível mundial, onde já existe uma estação de controlo, junto ao campo de jogos desta freguesia, devidamente equipada para preparar a energia recebida do mar de acordo com as características da rede nacional de energia.
Esta estação de recepção é constituída por uma sala de comando onde estão os dispositivos automáticos de segurança e controlo dos valores (frequência e voltagem) da energia, um transformador que prepara a energia de acordo com os parâmetros da rede nacional de energia para que esta possa ser injectada e ainda por um posto de controlo onde está o receptor da bóia ondógrafo, aparelho que mede várias características da onda, nomeadamente, altura, direcção e temperatura da água. Todo o sistema está apto a receber a energia do mar que chegará a terra por um cabo subterrâneo que está a mais de dez metros de enterramento.
Em mar, a cerca de cinco quilómetros da costa, a área de implantação do Parque de Ondas está delimitada por bóias cardeais, assinaladas na carta de navegação de modo a prevenir os navegadores para existência da estrutura que será constituída por três máquinas Pelamis, de 750 kilowatts cada. A montagem destas máquinas ainda não está concluída pelo que ainda se encontram nos Estaleiros, em Peniche. No entanto, Sousa Costa (ENERSIS) alerta para o perigo que o desrespeito pela área demarcada pode causar porque já lá estão colocadas correntes de grande e forte dimensão bem como cabos eléctricos que, apesar de não terem tensão, podem ser danificados pelas redes de pesca.
| Estação de Recepção |
Trata-se da primeira fase do projecto okeanós, cujo investimento é superior a oito milhões e meio de Euros e que está a ser desenvolvido por um grupo de três promotores – EDP, Efacec e Babcock&Brown – e o parceiro tecnológico escocês Pelamis Wave Power. Numa segunda fase prevê-se instalar, até finais de 2009, máquinas similares, com uma potência de cerca de 21 MW, num investimento que se estima superior a 70 milhões de Euros.
Portugal tem uma faixa costeira Atlântica que pode permitir o estabelecimento de potências superiores a 5.000 mw para o desenvolvimento e utilização de parques de energia de ondas, para a produção de electricidade a partir desta nova fonte de energia.
A freguesia da Póvoa de Varzim torna-se pioneira na exploração da energia das ondas, contribuindo positivamente para a redução da dependência energética do país e para a diminuição das emissões de carbono. O desenvolvimento das energias renováveis e eficiência energética estão previstos na Estratégia Nacional para a Energia do Governo e no Plano Tecnológico.
A política energética nacional prevê a duplicação da produção de energia eléctrica a partir de fontes renováveis até 2010.
À custa deste projecto, que está na vanguarda da ciência internacional, o nome de Aguçadoura tem sido propalado por todo o país e pelo estrangeiro onde diversas comunidades estudiosas dos fenómenos ligados às energias alternativas já manifestaram a sua expectativa sobre o sucesso do “parque”, prestes a funcionar no mar de Aguçadoura.