Passeio de memórias em São Pedro de Rates
São Pedro de Rates recebeu, no dia 21 de Abril de 2007, centenas de pessoas dispostas a percorrer um circuito de memórias.
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Acção Efectuado por Data e hora Comentário Publicar Fátima Serra 2007-04-23 13:09 Sem comentários. Tornar visível Fátima Serra 2007-04-23 13:07 Sem comentários.
Num percurso pedonal de oito quilómetros está definida a identidade cultural de S. Pedro de Rates, através do Ecomuseu inaugurado.
Convicto de que “o futuro não é outro senão o passado
dinamicamente actualizado”, Armindo Ferreira, o Presidente da Junta de Freguesia
Rates conduziu os visitantes pelas oito estações que retratam a vivência rural
nesta paisagem Entre Douro e Minho, que é uma da localidades que mais rápida e
profundamente se alterou. O vale caracterizado pela fertilidade e riqueza, onde
se encontravam os grandes lavradores contrastava com o território montanhoso,
pobre e baldio, onde habitavam os trabalhadores rurais e os pedreiros de xisto.
Esta dualidade contrastante e complementar deu, hoje, origem à monocultura das
forragens que alimentam o gado numa das mais importantes zonas da bacia leiteira
do Vale do Ave.
A Praça – centro cívico da freguesia que conjuga barroco e
românico – foi o ponto de partida da jornada pelo património ratense num
itinerário da água e do pão, em direcção à Fonte de S. Pedro reproduzida num
belíssimo painel de azulejos. A Casa de Lavrador foi o local escolhido para o
acto inaugural, no qual se pôde assistir à recriação do ciclo dos cereais,
através de uma malhada na eira, e do linho, desde o tratamento do fio à
tecelagem. Seguiu-se aquela que terá sido a primeira fonte de abastecimento da
população, a Fonte Antiga. Da água para o pão, chegou-se ao Moinho de Vento,
onde os grãos de milho, trigo e centeio voltaram a fazer farinha. Sucedeu-se a
Fonte do Pedro, espaço mítico que acolhe uma das lendas fundadoras da cultura
ratense, e, depois, a mais abundante fonte da freguesia que forneceu, durante
séculos, água para consumo humano, lavagem de roupa e rega dos campos, a Fonte
da Granja. A viagem ao passado agrícola de São Pedro de Rates terminou na Azenha
do Pego, uma construção em L toda erguida em xisto, onde se moía cereais e
serrava madeiras por tracção hidráulica e servia, também, de habitação. Assim se
constitui "o primeiro Ecomuseu organizado em Portugal no território de uma única
freguesia e o primeiro da Póvoa de Varzim", explicou Armindo Ferreira.
A intervenção contemplou um conjunto de oito estações, estando previstas mais duas, a Casa do Trabalhador e o Parque Ambiental, que aguardam melhor oportunidade orçamental da Medida Agris. Mediante marcação prévia, realizam-se vistas guiadas ao Ecomuseu de São Pedro de Rates. Poderá ainda visitar a exposição A cultura do linho, alusiva à produção multi-centenária do linho, onde estão presentes artefactos usados na sua produção, nomeadamente um tear onde se pode trabalhar, fotografias e documentação explicativa.