Museu convida a reviver "costumes poveiros"
Póvoa de Varzim, 15.11.2011 - A Póvoa "dos pescadores" e a festa de Natal dá mote ao último serão da iniciativa “Sabores da História”, que no dia 25 de Novembro contará com uma conferência proferida por José de Azevedo intitulada “Costumes Poveiros”, seguida da ceia com animação alusivas à época.
O serão terá as participações de Clarisse Marques e do Coro Grupo Esperança Jovem da Lapa e terá início às 19h30, no Museu Municipal.
A participação nesta actividade está sujeita a uma inscrição no valor de 15€ (geral), 10€ (GAM) e 5€ (crianças até aos 8 anos). O número de inscrições é limitado e os interessados deverão fazê-lo no Museu Municipal da Póvoa de Varzim, a partir do dia 17 de Novembro.
Conferência:
“A Póvoa de oitocentos a inícios do século XX estava marcada por uma grande hierarquização social e uma profunda divisão entre as gentes do mar e a comunidade de terra, composta por agricultores, jornaleiros e operários, bem como a abastada burguesia comercial e a terra-tenente.
Na mesa também esta divisão era notória. Para os mais pobres da classe piscatória, a sardinha, o chicharro e os peixes mais comuns, iam matando a fome, desde que os barcos saíssem para o mar. Alguma hortaliça, umas batatas trocadas por peixe nas aldeias vizinhas, um pouco de azeite fiado na mercearia ou, na falta deste, pingue para compor o caldo. A mesa dos lanchões seria mais farta, embora com os mesmos componentes, reforçada por outros peixes mais “ricos”, como a pescada.
Nas famílias burguesas a mesa era diversificada e rica, encontrando-se, lado a lado com a carne, os vegetais, o peixe, os mariscos. Perfilavam-se, também, os pratos brasileiros, com a mandioca, o feijão preto, a carne seca, à venda em afamadas mercearias e propagandeados nos jornais da época, ou em letreiros à porta: “Carne seca, feijão preto, farinha de seruí, vende-se aqui”.
Nas famílias pobres de agricultores, o pão de milho, a sopa e algum peixe eram a base da alimentação. A carne raramente vinha para a mesa, só normal naquelas famílias que mantinham um porco, muitas vezes alimentado com os restos da mesa de alguma família rica das redondezas. O provérbio “Quando um pobre come galinha um dos dois está doente” ilustra bem a raridade da carne à mesa do pobre.
Na comunidade piscatória, à noite, nos longos serões de trabalho, relembravam-se contos tradicionais, velhos jogos e cantigas.
Nos dias de festa, em particular no Natal havia ceia melhorada, com bom peixe, batatas e legumes regados com azeite fervido com colorau, em que toda a família comia a partir de grandes alguidares (ou “bacias”). Como sobremesas havia doces, como as rabanadas, a aletria e frutos secos. Rematava-se a noite a jogar ao “rapa” e a cantar as “músicas ao Menino”, enquanto se aguardava pela Missa do Galo”.
Recomendações:
O Museu Municipal solicita a sua colaboração na iniciativa “Sabores da História”, trazendo roupas que se adaptem à época ou que, facilmente, se conjuguem com as peças que irão vestir.
As senhoras e meninas devem usar camisas ou blusas de tecidos naturais lisos, fazendas, ou com estampados tradicionais do tipo das antigas “chitas”. Quem tiver saias compridas, podem usar as que forem de fazendas diversas, ou de xadrez (tipo “traje de trabalho”) bem como as de algodão estampado (tipo “chita”, para os trajes “de romaria”). Caso optem por vestir calças ou “leggings”, aconselhamos a que sejam confortáveis e lisas, pois deverão ser usadas com uma saia por cima.
Os homens e rapazes devem usar calças e camisas lisas, ou de “riscado”, mas, de preferência, de “xadrez” - se possível em fazenda, flanela, “cotim”, ou outros tecidos tradicionais, pois adaptam-se bem aos trajes de finais do século XIX, inícios do XX. Quem tiver camisolas poveiras e outras camisolas de lã grossa, boinas bascas, cachimbos e outros acessórios também os pode usar.
Deve-se evitar o uso de calças de ganga.
Pedimos que evitem o uso de sapatilhas, optando por sapatos simples ou botas de pele, preferencialmente em tons discretos. Chinelas “poveiras” (tapadas à frente), soletas ou socos, se possível em tons escuros e não estampadas, também são uma opção viável para compor o visual da época.
Os participantes que possuírem trajes antigos tradicionais poveiros (de finais do século XIX ou inícios do XX), bem como acessórios – lenços, xailes, etc. – podem trazer vestido o seu próprio traje ou emprestar a outro participante.
Agradecemos particularmente a quem quiser oferecer, ou emprestar, fotografias, trajes antigos ou réplicas, tecidos, acessórios, entre outros, ao Museu.
Os trajes que serão emprestados pela organização aos participantes serão fornecidos antes da conferência, a partir das 18h00.
Para qualquer esclarecimento, deverão contactar o Museu Municipal.