Semana Santa na Póvoa de Varzim. Tradição junta os poveiros numa quadra dedicada à família
A Páscoa revela a profunda religiosidade dos poveiros pela entrega e entusiasmo da população nas várias celebrações.
Na Semana Santa são três as procissões alusivas a esta quadra festiva: a Procissão de Ramos (domingo, 1 de Abril), a Procissão do Enterro do Senhor (sexta-feira, 6 de Abril) e a Procissão da Ressurreição (domingo, 8 de Abril).
Na quarta-feira, 4
de Abril, pelas 21h30, assista a um concerto
coral na Igreja Matriz com a participação dos grupos: "Ensaio", da Escola
de Música da Póvoa de Varzim; Capela Marta; Coral Misto da Matriz e Polifónico Ala-Arriba.
Na Póvoa de Varzim é tradição visitar as igrejas na noite de Quinta-feira Santa, 5 de Abril, para apreciar as decorações alusivas à Páscoa. Esta é uma festa religiosa da família, por isso, várias gerações passeiam pelas ruas indo de edifício em edifício. Deolinda Carneiro, directora do Museu Municipal explica que "hoje em dia, na Póvoa de Varzim, já não se realiza a antiga procissão das Endoenças, mas, em sua substituição, visitam-se sete, ou mais igrejas, na noite de Quinta-feira Santa. Depois da Celebração da ceia do Senhor e procissão Eucarística no interior da igreja, decoram-se igrejas e capelas, para que as pessoas vão em ‘romagem’ apreciar as decorações e rezar em cada uma".
Nessa noite pode visitar a Igreja Matriz de N.ª S.ª da Conceição, a Igreja da Misericórdia, a Capela de S. Roque, a Capela de N.ª S.ª das Dores, a Igreja paroquial de N.ª S.ª da Lapa, a Capela de N.ª S.ª do Desterro, a Capela do Senhor do Bonfim e a Igreja paroquial de S. José de Ribamar.
O Museu Municipal de Etnografia e História, pelo segundo ano consecutivo, abre as suas portas para assinalar esta tradição com os poveiros. Durante a noite, além de visitar as igrejas do concelho, passe também pelo Museu e reveja as imagens da procissão comemorativa dos 250 anos da construção da Igreja Matriz. A exposição fotográfica pretende mostrar pormenorizadamente a riqueza do evento.
Deolinda Carneiro e José Flores, arqueólogo municipal, são os fotógrafos responsáveis pela mostra. Ambos afirmam que "é necessário documentar, através da imagem, todas as tradições poveiras".
A partir dos anos 30 outra tradição enraizou-se no concelho: o Anjo. Na segunda-feira de Páscoa, 9 de Abril, várias famílias deslocam-se a Argivai, cujo orago é S. Miguel, o Anjo, para um gigantesco piquenique onde a diversão não pode faltar.
Segundo António Santos Graça, na obra O Poveiro, "nota-se entre eles a mesma alegria esfusiante do povo desta região, que tem na Páscoa e no Natal as suas duas grandes festas da família, onde todos se reúnem fraternalmente no seu lar". O etnógrafo explica, ainda, que “as casas lavam-se no sábado e os soalhos são, no domingo de Páscoa, cobertos de hera e flores, arranjando-se as camas com as melhores roupas da caixa para se receber o compasso, as boas festas do pároco ou dos seus representantes”. A tradição de receber o compasso perdura na Póvoa de Varzim. Uma visita obrigatória a cada lar poveiro onde a cruz é recebida com toda a solenidade. Um tapete de flores dá as boas-vindas.