"Artes & Ofícios" – a abrangência da geologia em sessão dedicada a Rocha Peixoto
Póvoa de Varzim, 25.03.2009 - Marcando o pré-arranque das comemorações do 1º Centenário de Rocha Peixoto, teve hoje lugar a primeira de um ciclo de sessões de “Artes & Ofícios” dedicado ao etnólogo e arqueólogo poveiro.
Com estas sessões, a Biblioteca Municipal pretende divulgar as várias facetas profissionais de Rocha Peixoto, que foi também bibliotecário, geólogo, professor, antropólogo, escritor e jornalista.
Assim, esta tarde alunos da Escola EB 2/3 Dr. Flávio Gonçalves, do 6º e 7º anos, participaram na sessão dedicada à profissão de geólogo, tendo como convidada Margarida Coelho, professora na Escola Secundária Eça de Queirós e licenciada em Geologia.
“O que é um geólogo?” A pergunta, incontornável, lançada por Margarida Coelho obteve respostas atrapalhadas por parte dos alunos. Aos poucos e poucos, chegaram à resposta correcta: é uma pessoa que faz o estudo da Terra – das rochas, dos fósseis, dos minerais, da natureza dos terrenos, dos sismos, dos vulcões… “Os geólogos são pessoas muito atarefadas, têm muitas profissões e muitos campos de acção”, explicou a professora. A sessão tomou depois o caminho da exploração da Terra e as consequências. E ilustrando a forma como o Homem “brinca” com o seu próprio planeta, foi exibida parte do filme “O Grande Ditador” que mostra Charlie Chaplin a brincar com um balão de grandes dimensões onde está impresso o mapa da Terra. O balão acaba, inevitavelmente, por rebentar. “Será que o mesmo pode acontecer ao nosso planeta?”, perguntou Margarida Coelho, de forma a introduzir a temática da evolução da exploração dos recursos naturais e da profissão de geólogo. Este, de facto, começou por apenas observar e identificar os fenómenos naturais, não se preocupando em explicar o porquê de eles acontecerem. Mas a Revolução Industrial e o aumento da densidade populacional levou a que a exploração de recursos naturais conhecesse grande incremento. Como tal, a Terra “ficou doente”, sendo explorada ao nível da sua hidrosfera, atmosfera, geosfera e biosfera. “O Homem chegou à conclusão de que a Terra estava mesmo mal e a sua cura não era tarefa fácil”, avisou a professora que para além de apontar mudanças que foram já implementadas, como a reciclagem e a poupança de recursos, com aposta nas energias renováveis, informou ainda acerca das mudanças na profissão de geólogo. “A atitude do geólogo teve que ser reformulada, ele passou a tentar explicar os fenómenos da Natureza para que o Homem os compreendessem e aceitassem que as mudanças em relação à Terra eram fundamentais.”
Defendendo que um geólogo é um profissional muito importante em vários sectores da sociedade, Margarida Coelho desvendou ainda outra tarefa da profissão: a de elaborar a História da Terra a partir dos fósseis.
A iniciativa terminou com uma breve apresentação da acção de Rocha Peixoto como geólogo, de que se destacou a organização, na Academia Politécnica do Porto, do Gabinete de Mineralogia, Geologia e Paleontologia assim como a sua dedicação ao estudo e ao ensino da Mineralogia, da Geologia e Paleontologia, tendo Rocha Peixoto desempenhado as funções de professor de Geografia e de Ciências Físico-naturais na Escola Industrial Infante D. Henrique.
A próxima sessão de “Artes & Ofícios” decorre a 29 de Abril, dedicada à profissão de Etnógrafo, tendo como convidado Fernando Cruz. A 3 de Junho é a vez de aprender sobre a profissão de Arqueólogo, com a ajuda de José Flores, do Museu Municipal.
Amanhã, 26 de Março, às 18h00, decorre a sessão de apresentação do programa comemorativo do 1º Centenário da morte de Rocha Peixoto.