“Contos Poveiros” apresentados na Biblioteca Municipal
“Doze Contos de Réis e mais Dois para Sobremesa”, era este o título que Luís Costa tinha inicialmente escolhido para o livro que veio lançar à Póvoa na passada sexta-feira, mas, como explicou o editor Fernando Pinheiro, “era claro que a temática poveira dominava o livro, por isso sugeri que se chamasse Contos Poveiros, e assim ficou.”
E foram estes “Contos Poveiros”, onde se reúnem 14 contos, alguns ficcionados, outros vividos pelo autor e outros ainda que fazem parte da tradição oral poveira, que foram apresentados na Biblioteca perante uma sala onde não faltavam amigos da juventude que Luís Costa passou na Póvoa e que tão boas recordações deixou na sua vida. O livro é, de facto, um repositório de memórias de um tempo e de uma Póvoa de Varzim cheia de tradições e onde o mar, e essa relação forte que com ele mantinha uma grande parte da população, marcava a vida de toda uma comunidade. Das tradições são exemplo os três contos sobre o Natal poveiro, da oralidade “O Camões”, figura típica da época e do mar, que faz da “Póvoa do mar” a personagem principal, há o conto “Naufrágio na Barra”, baseado num naufrágio verídico a que Luís Costa assistiu.
Actualmente com 85 anos, Luís Costa continua a manter uma espantosa vitalidade e produtividade, uma vez que, como ele próprio afirmou, os seus dias são passados em torno da escrita. Um eterno apaixonado da Póvoa, onde passou 18 anos da sua juventude, o autor não pôde deixar de afirmar, no lançamento do seu livro que “Em Coimbra, onde nasci, sou republicano, mas na Póvoa sou monárquico, porque sou súbdito da Póvoa, que é a rainha das praias portuguesas”
“Contos Poveiros” reúne ainda os “Contos da Terra Verde”, composto por narrativas sobre o universo histórico e humano da cidade de Braga, onde o autor vive desde 1946. Mas é a Póvoa que, ainda hoje, continua a marcar a sua existência e é a ela que se refere sempre com inegável saudade e carinho: “quando começo a falar da Póvoa, nunca mais me calo”, explica Luís Costa, “porque foi lá que passei a minha juventude e porque conhecia toda a gente e dava-me com todos; interessava-me pelas histórias da terra e percorria todas as ruas….”
Luís Costa é natural de Coimbra, onde nasceu em 24 de Agosto de 1921. Com cinco anos veio para a Póvoa, onde viveu até à entrada na vida militar, em 1942. No período da segunda Guerra Mundial prestou serviço militar como sargento miliciano, no Porto e depois como expedicionário em cabo Verde. Concluído o serviço militar, em 1946, tentou o regresso à Póvoa, mas, como ele próprio explica, a dificuldade em arranjar trabalho fez com que aceitasse uma proposta de um familiar e se mudasse para Braga, onde viria a casar e a viver até hoje. Começou então a colaborar com jornais como o “Correio do Minho”, “Diário do Minho”, Comércio da Póvoa”, “O Cavado” e com as rádios Renascença e Antena Minho. Escreveu centenas de artigos sobre Braga, apresentou comunicações em colóquios sobre várias tradições etnográficas da Póvoa e Esposende e assinou artigos no Boletim Cultural da Póvoa de Varzim.
Publicou vários livros na área da História, como “S. Vítor, alguns elementos para a História desta Igreja” (1979), “Braga Ontem” (1981), “História da Igreja e Irmandade de Sta. Cruz” (1983) ou “Braga, solenidades da Semana Santa” (2002), duas monografias sobre freguesias do concelho de Braga e, no campo da ficção, “Contos Poveiros”, que agora se publica.