“Em torno da polémica sobre a bandeira da República” deu mote à conferência de José Augusto Pizarro
Póvoa de Varzim, 10.12.2010 - "A nossa bandeira é heraldicamente incorrecta.” A afirmação foi feita por José Augusto de Sotto Mayor Pizarro ontem à noite, no Arquivo Municipal, numa conferência intitulada “Entre o azul e branco e verde e rubro. Em torno da polémica sobre a bandeira da República. Uma reflexão heráldica.”
O investigador explicou que existe uma deficiência de combinação de cores, rompendo a grande regra da heráldica que define que não se devem juntar cores como verde e vermelho. A desproporção das armas e da esfera armilar em relação ao resto da bandeira acaba por não separar as cores, acrescentou.
A República precisava de símbolos que a distinguissem, carecia de um instrumento de afirmação do próprio regime, revelou José Augusto Pizarro, acrescentando que por isso mesmo a bandeira tinha que ser objecto de uma escolha. Por Decreto do Governo de 20 de Junho de 1911, a bandeira foi escolhida tal como chegou até aos nossos dias, informou.
Mas a adopção desta bandeira gerou uma polémica que cruzou o país de norte a sul, isto porque uns defendiam a continuidade da bandeira azul e branca enquanto outros a verde e vermelha, que era a bandeira do Partido Republicano Português.
José Augusto Pizarro leu alguns artigos publicados em jornais da época, nomeadamente nos periódicos poveiros, que retratavam a polémica gerada em torno da bandeira. Um dos textos em destaque na imprensa foi da autoria de Guerra Junqueiro, republicano e anti-clerical, que defendia a manutenção do azul e branco identificando estas como cores da nação portuguesa.
Por outro lado, Teófilo Braga era a favor do verde e vermelho, cores que acabaram por ser escolhidas pela Comissão que foi nomeada pelo 1º Governo da República para o efeito. Segundo o conferencista, a controversa sobre a bandeira da República baseia-se na alteração das cores em função da mudança de regime, ou seja, a bandeira azul e branca sem a coroa (símbolo régio) seria a bandeira do país e não seria necessário adoptar as cores do Partido Republicano.
O investigador deu a conhecer as diferentes bandeiras adoptadas no nosso país desde o reinado do Conde D. Henrique até à actual mostrando também os diferentes projectos apresentados aquando da Implantação da República.