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60 anos depois "… toda a saudade é um cais de pedra"

Póvoa de Varzim, 03.12.2007 - Volvidos 60 anos sobre a tragédia marítima que assolou centenas de vidas, a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal de Matosinhos co-editaram a obra Naufrágio de 1947 … toda a saudade é um cais de pedra, apresentada ontem à tarde, no Auditório Municipal da Póvoa de Varzim.

A autarquia poveira apoiou a publicação deste livro que considera ser “um magnífico contributo para a história trágico-marítima dos portugueses que irá perpetuar na memória colectiva”, revelou Macedo Vieira, Presidente da Câmara Municipal presente na sessão de lançamento. “Assinalado como a maior tragédia de sempre da costa portuguesa, o naufrágio que, há sessenta anos, ceifou a vida a 151 pescadores, 24 dos quais da Póvoa de Varzim, enlutou o País (…) Nós, aqui, na Póvoa de Varzim, tínhamos, infelizmente, bem apontada à nossa memória a marca das tragédias frequentes na luta com o mar: entre mortandades menores, todos nos lembramos de que em 27 de Fevereiro de 1892, entre 110 pescadores naufragados, 77 eram poveiros” lembrou Macedo Vieira afirmando que, por isso mesmo, “a evocação da tragédia marítima de 1947 é oportuna e simbolicamente importante”. Esta evocação vem também “reavivar na memória colectiva o imaginário de heroísmo e de imolação que ajudou a construir a identidade comunitária na base de uma estreita ligação ao mar”, concluiu o presidente do município poveiro.

António Parada, Presidente da Junta de Freguesia de Matosinhos, também manifestou o desejo subjacente à edição deste livro “de não se perder no tempo uma comunidade colectiva que é a piscatória” e “deixar um memorial aos pescadores, às viúvas e aos órfãos, uma prece em louvor dos mártires pescadores sepultados no mar”.

Convencido que “as memórias dos homens vão-se apagando; os livros, esses são eternos”, Fernando Rocha, Vereador do Pelouro da Cultura de Matosinhos, considera que “este livro é, efectivamente, um repositório, uma homenagem que perpetua a madrugada de 2 de Dezembro, um dia marcante pelos piores motivos que trouxe atrás de si muita dor, sofrimento e pobreza”. António Cunha e Silva e Belmiro Esteves Cardoso revelaram que Naufrágio de 1947 … toda a saudade é um cais de pedra é fruto de uma vontade partilhada por ambos em deixar para a posteridade um documento único que resultou de um trabalho de investigação e pesquisa que os autores, dedicados à sua terra e às suas gentes, se predispuseram a realizar durante dez anos.

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