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A apanha do sargaço foi tema de conferência, no Arquivo Municipal

Póvoa de Varzim, 09.05.2008 - "A apanha do sargaço na Póvoa de Varzim no passado: do documento histórico à realidade biológica" foi o título da conferência proferida por João Paulo Cabral ontem, no Arquivo Municipal, revelando-nos que o nosso município foi pioneiro, no século XIX, na regulamentação desta actividade.

"Em termos ecológicos, o ano de 1849 é histórico porque, ao restringir o corte das algas a um período  limitado do ano, marca o início de um controlo e gestão modernas e ecológicas deste recurso natural. Esta restrição manter-se-á em toda a legislação posterior de carácter nacional” afirmou o biólogo que desenvolveu a sua investigação com base na documentação existente no Arquivo Municipal, fundamentalmente, as actas das vereações da Câmara da Póvoa de Varzim a partir do século XVII, mais concretamente 1620.

João Cabral referiu a força do Foral da Póvoa como lei irrevogável e soberana, bastante explícito quanto à apanha do sargaço nos limites do concelho, proibindo que moradores de fora do concelho fossem à Póvoa apanhar sargaço. “As disposições do Foral da Póvoa sobre a exclusividade do sargaço para os seus moradores mantêm-se inquestionáveis e invioláveis, até ao crepúsculo da vigência destes diplomas régios, com o liberalismo” continuou o investigador.  A Igreja também desempenhou um importante papel na legislação municipal relativa a esta actividade incorporando a proibição da apanha do sargaço aos Domingos e dias santos feriados. Esta proibição mantém-se na legislação municipal durante séculos, mas, à semelhança das disposições eclesiásticas, o seu rigor intransigente do século XVII afrouxa passando-se para um regime relativamente permissivo a partir de meados do século XIX.

O exercício desta actividade geriu conflitos entre a exploração intensiva e a gestão racional deste recurso natural com implicações a nível económico, social e ecológico. Perpassando as diferentes ferramentas de apanha e de corte, ao objectos de transporte e embarcações utilizados, João Paulo Cabral, estabeleceu os seguintes limites temporais para a tecnologia da apanha do sargaço na Póvoa: a graveta e a ganchorra eram já utilizadas em 1626, e o uso de barcos e jangadas é provavelmente também anterior a este ano; o corte do sargaço é anterior a 1762 e o uso de redes para apanhar o sargaço data provavelmente de pouco antes de 1844. A necessidade de gerir bem este recurso restringindo o corte das algas aos meses de Verão é sentida em meados do século XIX de forma intuitiva pelos habitantes do concelho que entendem que as algas necessitavam de um tempo de renovação apesar de desconhecerem os seus ciclos de vida.

Os interessados em saber mais sobre a apanha do sargaço no concelho da Póvoa de Varzim poderão ler o artigo publicado por João Paulo Cabral no último volume do Boletim Cultural da Póvoa de Varzim.

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