À descoberta de um novo Camões – espectáculo rap na Biblioteca Municipal
Póvoa de Varzim, 13.06.2007 - "Se Camões vivesse hoje, seria um poeta rap”. Foi a partir desta premissa que teve lugar hoje, 13 de Junho, na Biblioteca Municipal, um espectáculo onde, aos versos de Camões, se juntaram os ritmos rap e hip-hop, os jogos de luzes, a imagem.
O resultado é surpreendentemente novo, mas ao mesmo tempo soa familiar, à medida que Hugo Pereira, o performer, vai debitando versos da autoria da Camões. As armas e os barões assinalados, d’Os Lusíadas, ou Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades ganham uma nova vida, testemunhada por uma assistência composta, essencialmente, por alunos, prontos a descobrirem um novo Camões.
A interacção com o público é também uma característica deste espectáculo, desenvolvido pela Arte Pública – Artes Performativas de Beja, que se iniciou com um poema de Sophia de Mello Breyner, Camões e a tença, a que se seguiram 17 poemas da lírica camoniana. No final do espectáculo, à plateia, é pedido que se levante e cante, em versão rap, as estrofes I e II d’Os Lusíadas. As vozes unem-se, surge a musicalidade, os versos ganham uma outra força.
Entre a plateia encontravam-se alunos do 8º ano da Escola Secundária Rocha Peixoto. Ainda não estudaram a obra camoniana (é de leitura obrigatória no 9º ano), mas para muitos a vontade e a curiosidade ficou. Para os professores, este espectáculo foi um óptimo instrumento de sensibilização, já que os alunos ficaram mais motivados, logo mais abertos ao estudo da obra de Camões. No fundo, é este o objectivo do espectáculo, como explicou Hugo Pereira. “Para os alunos, Camões é de estudo obrigatório, é uma grande seca”, sendo que através do espectáculo se tenta passar “a mensagem, o entusiasmo de forma a que eles se interessem” e, quem sabe, por iniciativa própria, procurem mais informação.
“Camões é um poeta Rap” é um projecto que se tem vindo a desenvolver desde 1992, primeiro pela voz de Gisela Cañamero, agora encenadora, presentemente pela de Hugo Pereira. A equipa é ainda composta por elementos responsáveis pela sonoplastia, pelo vídeo, pela iluminação, entre muitos outros detalhes, criando um espectáculo único, que agrada não por um elemento só, mas pela conjugação de luz, voz, música, imagem.
O espectáculo está inserido no Programa de Itinerâncias Culturais de Promoção de Leitura 2007, da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas. Para mais informações sobre o espectáculo visite www.arte-publica.net.