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Aprender a contar histórias – oficina reuniu pais e educadores na Biblioteca Municipal

Póvoa de Varzim, 24.11.2008 - A Biblioteca Municipal recebeu, no passado sábado, o grupo O Contador de Histórias que desenvolveu a Oficina de Sobrevivência para Pais Contadores de Histórias.

Provando o sucesso deste projecto, enquadrado no programa de itinerâncias da Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas, foram muitos os pais, educadores e demais agentes educativos que quiseram estar presentes, ultrapassando as 25 presenças previstas, surpreendendo o próprio Nuno Lopes, o “formador” destacado para iniciativa e que, a par do seu irmão Filipe, está na génese deste grupo que nasceu em Tomar há 15 anos atrás.

A Oficina de Sobrevivência, explicou Nuno Lopes, tem como objectivo motivar para a leitura e conto de histórias sendo que a partilha de experiências é um dos ingredientes indispensáveis para o sucesso da sessão. Começando por descrever a evolução do papel de contador de histórias, Nuno Lopes fez ver que é um papel que desde cedo dependeu da oralidade, em que as histórias eram transmitidas de pais para filhos em serões nos quais a televisão era ainda uma realidade bem distante. A dificuldade de aceder a livros infantis há 30 ou 40 anos atrás e o surgimento da televisão vieram dificultar o trabalho do contador de histórias que, no entanto, conheceu novo ímpeto com o surgimento das bibliotecas públicas que passaram a incluir espaços dedicados especialmente aos mais novos, sendo disso exemplo actividades como a Hora do Conto.

No entanto, Nuno Lopes alertou para dois aspectos fundamentais na hora de assumir o papel de contador de histórias: o público e o livro. “O contador de histórias tem que se adaptar ao público”, avisou Nuno Lopes que, no que respeita à escolha de livros, aconselhou a ter cuidado com os livros de hipermercado e com aqueles que não incluem o nome do autor. As histórias “politicamente correctas” da Disney mereceram também reparos por parte de Nuno Lopes, avisando, no entanto, que as escolhas dependem dos pais e também das crianças que, no entanto, não devem ser obrigadas a ler, aconselhado, a este respeito, o livro O menino que não gostava de ler, de Susanna Tamaro.

E se no acto de contar uma história reside também o acto de partilhar afectos, o momento pode também servir para tratar de temas «difíceis». Aqui, como em tudo, Nuno Lopes pediu bom senso na escolha da história, aconselhando alguns livros como Para onde foi o Zezinho, um livro que se enquadra na educação para a sexualidade.

Contar uma história pode ser muito mais do que isso, ou, como explicou Nuno Lopes, pode abrir portas à imaginação, dando a possibilidade aos contadores de histórias de trabalhar o conto. Dando como exemplo a história do Capuchinho Vermelho, da qual se conhecem vários finais diferentes, Nuno Lopes aconselhou a leitura das versões canónicas de histórias dos Irmãos Grimm, de Hans Christian Andersen e de Charles Perrault que podem, depois, ser trabalhadas.

E tendo em conta que todas as crianças são diferentes, Nuno Lopes avisou que não existem livros para uma certa idade: cabe aos pais perceber para que tipo de livro está o filho preparado.  

A Oficina de Sobrevivência contou ainda com uma vertente prática com o objectivo de melhorar a expressividade na “hora do conto”. Tendo como base a história O Nabo Gigante, de António Mota, os presentes foram convidados a assumir o papel de personagens do livro, teatralizando, assim, o conto.

contar historias

O grupo O Contador de Histórias nasceu há 15 anos em Tomar. Tudo começou com um programa radiofónico onde se lia poesia. Terminado o programa, o grupo decidiu continuar a divulgar poesia, quer através de espectáculos, quer através de acções de formação como esta desenvolvida na Póvoa. Explicando que o grupo trabalha com todas as idades, “desde crianças a idosos”, Nuno Lopes começa já a ver o fruto de 15 anos de trabalho: “notamos, cada vez mais, que os jovens não estão desligados do livro. Eles são bombardeados com audiovisual e os livros dão-lhes a oportunidade de libertar a imaginação”.

A Oficina de Sobrevivência para Pais Contadores de Histórias é um dos casos de sucesso do grupo. Em três anos de existência, já foram organizadas mais de 150 sessões por todo o país.


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