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Campos Matos, um queirosiano convicto, apresentou obras na Póvoa de Varzim

Póvoa de Varzim, 26.11.2008 - A Biblioteca Municipal celebrou, ontem, o aniversário de Eça de Queirós com a apresentação de duas obras sobre o grande vulto da literatura portuguesa da autoria de Campos Matos.

“Nada melhor do que comemorar os 163 anos de Eça lançando estas duas obras de um queirosiano convicto” afirmou Luís Diamantino, Vereador do Pelouro da Cultura, lembrando que tudo o que diz respeito a Eça diz respeito à Póvoa, cidade onde o escritor nasceu em 1845, que “já de si fez muito para merecer, de facto, ter como filho Eça de Queirós”. 

Começando por referir-se ao livro A Guerrilha Literária de Eça de Queiroz – Camilo Castelo Branco, publicado pela editora António Maria Pereira, Campos Matos revelou o que efectivamente separa Eça de Camilo: “Eça não supera o sentimentalismo piegas de Camilo”, sentimentalismo, aliás, considerado absolutamente insuportável por outros escritores como é o caso de Miguel Torga. Outra característica identificada por Campos Matos foi o desejo de perfectibilidade de Eça que Camilo não tinha nem podia ter porque a sua situação económica bem como o drama da cegueira que o atacou o não permitiam. Queirosiano por excelência, o autor confessou que nesta obra se denota especial simpatia por Camilo onde a ironia e o humor são usados para avaliar as relações literárias entre os dois escritores.

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De foro mais íntimo, foi também apresentada a recente publicação da Caminho, Eça de Queiroz Correspondência, na qual Campos Matos reuniu todas as cartas até agora conhecidas desde as primeiras que, em 1916, António Cabral publicou na sua biografia de Eça de Queiroz, pioneira em Portugal. Esta edição resulta de um cotejo aturado de todas as cartas com os manuscritos e fac-similes disponíveis, tendo sido dedicado muito tempo à verificação da datação da correspondência que, nas cartas sem data, apresenta por vezes dificuldades insuperáveis. Essas cartas foram colocadas no final do acervo obedecendo ao critério do autor “a correspondência só pode ser editada cronologicamente”. À correspondência privada juntaram-se mais nove cartas, de carácter público, de grande importância, retiradas das Prosas Bárbaras e das Notas Contemporâneas e do Mandarim. Apresentam-se ainda no final dois textos complementares — da autoria de Campos Matos — para a biografia do escritor: a transcrição do prefácio onde foram publicadas pela primeira vez as cartas de Emília para o marido e a introdução às cartas publicadas pela Biblioteca Nacional em 2007. Esta edição apresenta um total de 898 cartas, entre as quais duas inéditas e duas praticamente desconhecidas, não publicadas em acervos de correspondência.

Para além da já vastíssima bibliografia que o Arquitecto Campos Matos publicou sobre Eça de Queirós, ficou a revelação de que em breve serão apresentadas novas obras e um artigo sobre “Sombras, ocultações e artifícios em Eça de Queiroz” a incluir no próximo número do Boletim Cultural.

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