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Congresso Internacional de Turismo Cultural e Religioso começou hoje - Mais de meio milhar de congressistas, na Póvoa

Póvoa de Varzim, 22.04.2008 - Com mais de 550 congressistas inscritos, de perto de duas dezenas de países, começou hoje o Congresso Internacional de Turismo Cultural e Religioso, que reúne na Póvoa um vasto painel de oradores, até dia 24.

Congresso Internacional de Turismo Cultural e Religioso começou hoje - Mais de meio milhar de congressistas, na Póvoa

Sessão de abertura

O início dos trabalhos, esta manhã, foi marcado pelo minuto de silêncio em memória de Monsenhor Cónego Melo, fundador e presidente da Turel e um dos principais impulsionadores deste congresso, que faleceu este fim-de-semana, em Fátima, de forma inesperada.

Presente na sessão de abertura, o Presidente da Câmara lembrou também o seu conhecimento pessoal do Cónego Eduardo Melo, afirmando que, na ausência do principal organizador, manter  o congresso seria “a melhor forma de homenagearmos quem hoje, perante esta plateia, se sentiria feliz e realizado”. Nas palavras que dirigiu à vasta plateia, reunida na sala de congressos do Novotel Vermar, Macedo Vieira afirmou a urgência de se “aprofundar a relação entre turismo e identidade cultural”, o que implica que, como disse, “o turismo cultural não seja considerado apenas como a venda de um produto a retalho ou em pacote, porque o acto cultural é, sempre, por definição, um intercâmbio, uma troca de ideias e de conhecimentos “. Para o Presidente da Câmara Municipal, “o turismo, para ser efectivamente cultural, tem de privilegiar a qualidade do património construído e natural, a paisagem, o monumento ou o museu, mas também a festa, a vida das comunidades humanas que persistem na preservação dos seus saberes e da sua cultura”.

Uma visão partilhada por Luigi Cabrini, da Organização Mundial do Turismo (omt), que nesta sessão de abertura defendeu também que “importa ter uma visão ampliada do turismo, que vá mais além do lado economicista”. Para o representante da omt, este é um “inestimável instrumento de conhecimento e de descoberta entre culturas e sociedades, um promotor da tolerância e da aproximação entre povos e da paz mundial”. Durante a sua intervenção, Luigi Cabrini revelou ainda que, durante o ano de 2007 viajaram quase 900 milhões de turistas internacionais, o que poderá dar uma ideia dos contactos gerados por este extraordinário movimento de pessoas.

Para o primeiro painel da manhã retiraram-se as mesas e, no palco, ficaram só as cadeiras, em semi-círculo, viradas para o público, o que ajudou a criar a ideia de uma conversa entre os oradores e a plateia. Uma conversa iniciada e dirigida por Vítor Neto, que já foi secretário de estado do Turismo e que conhece bem a Póvoa, onde participou em várias cerimónias oficiais e até de inauguração de equipamentos. E, antes de passar a palavra à representante do Ministério do Turismo israelita, Vítor Neto lembrou que não há turistas “monoculturais”, isto é, que se desloquem para outro país com um único objectivo, o que significa que acabam sempre por contactar com experiências e por procurar outras realidades para além daquelas que estiveram na origem da escolha do destino turístico.

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Na sua intervenção, Dolores Perez Frias centrou-se sobre o seu país, Israel, óbvio destino do turismo religioso, que, em 2007, recebeu dois milhões e 200 mil turistas e que, no ano 2000, coincidindo com a visita de João Paulo II, atingiu o maior número de visitantes de sempre: dois milhões e 500 mil. Israel investe na oferta turística, tendo já mais de 70 mil pessoas empregadas directamente neste sector e, como revelou Dolores Frias, a experiência religiosa tem tal impacto que 73 por cento dos turistas repete a viagem.

O Caminho de Abraão é um interessante projecto, que procura criar uma rota semelhante ao caminho de Santiago, mas atravessando países do médio oriente. Fernando Latorre, da Universidade de Harvard, impulsionadora do projecto, explicou que este foi idealizado há cinco anos e que envolve a construção de uma extensa rede de contactos com autoridades e populações locais nos países atravessados por este caminho, que começa em Harran, na Turquia e termina em Hebron, Israel, num percurso de 1100 quilómetros, atravessando a Líbia, Síria e Jordânia.

 Neste painel da manhã participaram ainda Fernando Moniz, da Comissão Europeia, que abordou as várias medidas no contexto europeu para dinamizar o turismo, e Monsenhor Novatus Rugambwa, da Santa Sé, que lembrou a importância de os turistas possuírem conhecimentos de base antes de visitarem um destino de interesse cultural e religioso, bem como os perigos de o turismo poder agir de forma negativa sobre aspectos culturais e religiosos de certas populações. Ruben Lois, director geral do Turismo da Galiza encerrou os trabalhos desta manhã, abordando o Caminho de Santiago e a sua importância no desenvolvimento do turismo na Galiza.

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De tarde, sob a moderação de José Cadima Ribeiro, da Universidade do Minho, o debate centrou-se no Turismo Cultural. Maria José Coelho, representante do Turismo de Portugal, referiu-se à realidade nacional, onde se procura investir na criação de estruturas que fomentem o turismo de base cultural. Designado como “Touring Cultural”, este tipo de turismo atrai, para já, principalmente visitantes vindos da Grã Bretanha, Espanha, França, Escandinávia e Alemanha. As regiões mais procuradas são Lisboa, Centro e Norte do país e o Plano Estratégico Nacional de Turismo (pen 2015) engloba o “Touring Cultural” e paisagístico como um sector a privilegiar. Aqui há que preservar o património cultural e investir em estruturas de apoio de grande qualidade, para atrair um tipo de turista muito específico e Portugal tem todas as potencialidades para desenvolver este tipo de turismo. A Rota dos Frescos, no Alentejo, e a Rota do Românico, no Vale do Sousa, foram dois dos exemplos apresentados por Maria José Coelho, como casos de sucesso no “Touring Cultural”.

De tarde prossegue a análise dos casos do Brasil, com a participação de Delma Andrade, do Ministério do Turismo do Brasil, da Espanha, com Elena Vadillo, da Secretaria de Estado do Turismo e Comércio de Espanha, de França, com Chantal Le Rai-Leroy e de Itália, com Armando Peres.

O Congresso de Turismo Cultural e Religioso prossegue no Novotel Vermar, até dia 24 e, a par dos trabalhos agendados, há ainda, no mesmo espaço, uma interessante mostra de artesanato. Amanhã, a manhã será dividida por várias mesas de debate e à tarde prosseguem as exposições dos oradores convidados.

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