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Correntes d´Escritas – "As palavras são salvadoras"

Póvoa de Varzim, 12.02.2009 - Se a "tribo dos artesãos escreventes" (as palavras são do moderador, o jornalista Carlos Pinto Coelho), decidisse que estava farta de palavras seria um escândalo idêntico ao de um concílio que decreta que Deus não existe.

António Sarabia, Daniel Galera, Eduardo Bettencourt Pinto, Paulo Teixeira Pinto, Rui Cardoso Martins e Victor Andresco juntaram-se hoje à tarde no Auditório Municipal na 3.ª Mesa do Correntes d´ Escritas (com o tema “Estou farto de palavras”), deixando ao muito público presente alguns testemunhos particularmente emotivos.

Foi o caso do escritor mexicano Antonio Sarabia que num tom incisivo disse estar farto daquilo a que chamou as “palavras-prostitutas”, aquelas que todos usam para os fins que mais convêm. Sarabia deu alguns exemplos: democracia, bloqueio, terrorismo, resgate, terrorista. Palavras tantas vezes usadas extropiadas do seu “verdadeiro sentido”.

Numa referência à morte da mulher, Tereza Coelho, jornalista e ex-editora das Publicações D. Quixote, falecida no passado mês de Janeiro, o jornalista e escritor Rui Cardoso Martins explicou como passou a conhecer o significado de palavras como luto e viúvo. Por mais vazias que por vezes, em determinadas circunstâncias, possam parecer, “as palavras são salvadoras. Sem palavras não somos nada”, afirmou Rui Cardoso Martins. “No tempo certo”, as palavras podem ser “o aconchego, o alento, a saciedade”, acrescentaria, já perto do final, Carlos Pinto Coelho.

Para Paulo Teixeira Pinto, ex-administrador do BCP e ex-governante, “A vida não deixa de ser o que é por estarmos fartos dela e com a literatura é exactamente a mesma coisa”. Definindo a literatura como um jogo que “consiste em encontrar a ordem certa das palavras, ordem outra que não a alfabética”, permitindo “pensar, sonhar e fantasiar”. E quanto ao mistério das palavras, ele “está na sua própria essência. Em rigor não há duas palavras iguais”.

Vindo do Canadá, Eduardo Bettencourt Pinto centrou a sua intervenção na leitura de uma Ode ao Pai, escrita num tom intimista.

No final das intervenções, uma cidadã natural da Irlanda e que vive há um ano na Póvoa de Varzim, falou em português e foi aplaudida após um relato breve da importância que atribui à língua.

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