Escavações na casa de Medamus
Póvoa de Varzim, 27.09.2010 - Uma novidade entusiasmante foi anunciada por José Flores, arqueólogo municipal, na sexta-feira, no Museu de Etnografia e História, durante a conferência “Medamus”.
Nos primeiros dias dos trabalhos arqueológicos que se realizaram em Julho e Agosto na Cividade de Terroso foi encontrado um fragmento de sigillata com a inscrição “M”. Pouco tempo depois, foi avistado um outro fragmento, desta feita com a inscrição “Medam”. Depois de pesquisar, José Flores concluiu que o dono daquela casa onde decorreram os trabalhos este ano chamar-se-ia Medamus, um nome próprio indígena. Esta foi a primeira vez que foi encontrado um vestígio desta natureza e que “permitiu criar uma perspectiva sobre a identidade daquela pessoa que habitou os 100m2 que estávamos a escavar”. Segundo José Flores, as características dos fragmentos encontrados mostram “sensibilidade por parte de quem habitava a casa, já que, são peças frágeis e que necessitariam de algum mobiliário”.
O arqueólogo decidiu investir neste espaço, este ano, por considerar que seria um local promissor, tendo em conta alguns vestígios encontrados na zona em campanhas anteriores. E estava certo. Além da descoberta desta personagem, foi encontrada parte de uma peça com desenhos de peixes, o que, mais uma vez, demonstra gosto pelos artefactos que possuíam.
Na opinião de José Flores, “esta foi uma escavação muito bem sucedida que retrata o momento do abandono da Cividade de Terroso. Conhecemos o início da ocupação – com o espólio recolhido no interior da Casa VII – e agora conhecemos o momento em que os Romanos obrigam os habitantes a descer e a viver nas planícies”. O arqueólogo explicou que esta transição foi pacífica devido à técnica romana de fazer com que os indígenas se tornassem Romanos.