Escrever na Idade Média foi tema de conferência no Arquivo Municipal
O Arquivo Municipal da Póvoa de Varzim acolheu, ontem à noite, uma conferência sobre o scriptum medieval, proferida pela Prof. Doutora Cristina Cunha.
Numa viagem à Idade Média, a investigadora elucidou o público presente sobre o modo de escrever entre os séculos XI e XVI. Os locais, por excelência, onde os documentos avulsos estavam instalados eram mosteiros ou abadias. Na Sé Catedral de Braga existia, no século XI, um scriptorum com os documentos necessários. Mais tarde, os scriptora transformaram-se em chancelarias. Os mosteiros, eram, então, grandes repositórios de cultura.
As gravuras que actualmente possuímos dessa época pertencem, sobretudo, à documentação monástica. Para melhor explicar todos os instrumentos implicados no processo de escrita da Idade Média (tinta; tinteiro; pena; pergaminho), a investigadora mostrou vários documentos conservados em diversos arquivos e centros de documentação nacionais e estrangeiros. São exemplo, uma página de uma Bíblia do Mosteiro de Alcobaça, um Foral e o Couto do Mosteiro de Tibães (1ª Carta de D. Afonso Henriques), entre outros.
A difusão da escrita verificou-se a partir do século XIII, altura em que a venda da escrita deixou de ser considerada um serviço desonesto. Deste modo, os mosteiros, para além da produção de livros, também se dedicavam à sua comercialização. Lentamente, vão surgindo as primeiras bibliotecas. Os livros eram objectos muito caros e alvo de cobiça, pelo que a sua disposição nas estantes implicava que estivessem presos com correntes aos armários.
A Prof. Doutora Cristina Cunha irá ministrar, durante o mês de Maio, um Curso Livre de Paleografia, no Arquivo Municipal, disponível a todos os curiosos em conhecer a escrita antiga.