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Festival Músicas do Mar – segundo dia de novo em grande ritmo

Póvoa de Varzim, 30.08.2008 - Eles fazem lembrar esse velho termo “saloio”. Decoram o cenário com mesinhas cheias de bibelots e naperons, recuperam a imagem do português de boina e o fado como forma de expressão e, apesar de todo este apelo ao nacionalismo, há sempre ali um certo laivo de ironia. São os Deolinda.

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Festival Músicas do Mar – segundo dia de novo em grande ritmo

Póvoa de Varzim, 30.08.2008

Póvoa de Varzim, 30.08.2008 - Eles fazem lembrar esse velho termo “saloio”. Decoram o cenário com mesinhas cheias de bibelots e naperons, recuperam a imagem do português de boina e o fado como forma de expressão e, apesar de todo este apelo ao nacionalismo, há sempre ali um certo laivo de ironia. São os Deolinda.

Três músicos e a maravilhosa voz de Ana Bacalhau que, mais do que uma cantora é uma intérprete que enche qualquer palco. Ontem, qual Colombina em busca de Pierrot, Ana cantou e falou de cada uma das músicas dos Deolinda, muitas delas sobre o amor de que “não sei falar”, sobre as paixões que podem até acontecer num autocarro, a caminho do Alto de Benfica, sobre histórias do dia-a-dia, como por exemplo a da cantora que sempre que vai jantar com os amigos, acaba por ser convidada para cantar uma “musiquinha” no restaurante – mas agora tudo mudou e quem a quer ouvir, tem que ir aos concertos dos Deolinda. Mais do que um concerto, uma conversa em ambiente familiar, pontuada por canções bem portuguesas.

No concerto que abriu a segunda noite do Festival Músicas do Mar, os Deolinda puseram o Diana Bar pelas costuras e mostraram como se pode fazer boa música investindo em letras que celebram a língua portuguesa e como o fado e a música de raiz tradicional podem ser um ponto de partida para temas de grande criatividade. O público rendeu-se à excelente prestação da banda, que interpretou o seu primeiro álbum, “Canção ao Lado”, saído em Abril deste ano, e muitos foram os que não quiseram arredar pé sem o cd e o respectivo autógrafo.

Para trás ficou o Diana Bar e a celebração da música portuguesa e a noite prosseguiu com um concerto que teve tanto de arrojado quanto de único e em que o funk, o rock e pop do mais americano possível se misturam com ritmos, instrumentos e até a língua do Camboja.

No palco do Largo do Passeio Alegre, os Dengue Fever, banda de Los Angeles, confirmaram porque é que o Músicas do Mar é uma viagem aos sons do Mundo. Na sua música se fundem e cruzam culturas tão distintas, servidas pela voz da cantora cambojana Chhom Nimol e os Dengue Fever tanto pegam em canções cambojanas dos anos 60 como compõem originais e o resultado é a estranha sensação de se estar num país do Oriente, pelas letras em khmer e pelas danças ondulantes de Chhom Nimoi, mas tudo embrulhado na mais ocidental das sonoridades. Uma mistura única, sem dúvida.

E, em termos de concertos, a noite encerrou com os ritmos diabólicos dos Alamaailman Vasarat, banda finlandesa que manteve o Largo do Passeio Alegre cheio de público até bem tarde. A música da banda é tão difícil de caracterizar como é de pronunciar o seu nome, mas o resultado é uma energia transbordante e um ritmo imparável, entre o heavy metal, música cigana dos Balcãs, rock progressivo e até valsas e polkas. E depois há a imagem da banda, claro, com as figuras de Jarno Sarkula nos saxofones, clarinetes e flautas e a quem cabe, volta e meia uma apresentação das músicas com indicações irónicas e absurdas, e de Erno Haukkala, nos trombones e tuba, que circula por todo o palco, num desafio permanente à assistência para que dance e entre na música da banda.

Aproveitando que a vontade de dançar era já muita, depois dos Alamaailman Vasarat, foi só dar um salto ao Auditório da Lota e entrar no ritmo das músicas seleccionadas pelos djs Bailarico Sofisticado. E nem a chuva impediu a festa. Madrugada dentro, muita gente dançou ao ar livre e viveu o espírito do Músicas do Mar, um festival que se nota já ter conquistado o seu público e que se afirma pela diversidade de concertos que, em cada noite, oferece – músicas diferentes e para os mais variados gostos e onde a qualidade é a única coisa que não varia.

Infelizmente, hoje entra-se no último dia. Às 18h00 a música sai à rua com os Farra Fanfarra, banda radicada em Lisboa, mas que reúne perto de duas dezenas de músicos de vários pontos da Europa. A noite abre no Diana Bar, às 21h00, com o concerto do pianista Aron Ottingnon, vindo da Nova Zelândia, prossegue no Largo do Passeio Alegre com a italiana Rosapaeda e termina com a música dos marroquinos Hoba Hoba Spirit.