José de Azevedo lança, dia 21, Patrão Lagoa – O sonho de ser Cabo-de-Mar
Póvoa de Varzim, 14.10.2011 - José de Azevedo, jornalista e escritor poveiro, lança a sua mais recente obra, Patrão Lagoa – O sonho de ser Cabo-de-Mar, na sede do Clube Naval Povoense, na próxima sexta-feira, dia 21 de Outubro, às 21h30.
Na biografia das personalidades, ou até na história dos povos, há sempre uma pequena nuvem que esconde um pormenor e que, mais cedo ou mais tarde, por investigação mais cuidada ou testemunho oral, acaba por se revelar. Enquadra-se neste pensamento Manuel António Ferreira, o conhecido “Patrão Lagoa”, patrão do salva-vidas da Póvoa, um herói lendário, poveiro de rija têmpera que, escondido dos olhares do mundo, lutou com todas as suas forças para que as entidades que o endeusaram lhes indicassem um caminho seguro e oficial, capaz de lhe proporcionar uma pensão decente. Um homem coberto de honrarias mas que as dificuldades materiais o obrigavam a uma ginástica orçamental rigorosa. Um pescador benemérito da humanidade cujo sonho era entrar nos quadros do pessoal da Marinha como cabo-de-mar e que, mercê duma cega teia burocrática, nunca chegou a concretizar, mesmo que pesasse a seu favor feitos de abnegação e coragem e estivessem do seu lado, como protectores e grandes amigos, o seu compadre Dr. David Alves, uma grande figura de homem público, António dos Santos Graça, ao tempo Administrador do Concelho e deputado no Parlamento, o Guarda-Marinha António Augusto Costa, Delegado Marítimo do porto da Póvoa.
Neste trabalho, procura-se descobrir o sonho encoberto de um homem do mar que tinha na Marinha de Guerra a sua meta de vida, a fada -madrinha da sua realização pessoal. A farda azul de cabo-de-mar era uma obsessão; ingressar no Quadros da Marinha o seu maior objectivo. Embora os seus feitos heróicos como patrão do salva-vidas “Cego do Maio” tivessem repercussão nacional - com destaque para os salvamentos do cruzador “São Rafael” e do vapor inglês “Veronese” – o facto é que essas arrojadas façanhas de nada valeram. Disposições legais travaram o acesso à categoria que almejava. É essa nuvem na vida do herói que se procura destapar neste trabalho. Uma pequena achega para uma desejada biografia dum grande herói poveiro nascido a 14 de Junho de 1866 na Rua do Carvalhido (hoje Rua Serpa Pinto) e falecido a 7 de Julho de 1919 na Rua Paulet, nº 13 (hoje Rua Patrão Lagoa). Manuel António Ferreira era casado com Felisbina da Conceição Ferreira, que lhe deu 22 filhos, considerada a maior prole poveira.