Luísa Dacosta partilhou as suas histórias, na Casa do amigo Manuel Lopes
Póvoa de Varzim, 31.05.2011 - O jardim da Casa Manuel Lopes foi o cenário escolhido para o lançamento do livro de Luísa Dacosta, Lá vai uma… Lá vão duas, ao final da tarde de ontem.
Editada pela primeira vez em 1993 e galardoado com o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças 1994, esta nova edição, agora publicada pelas Edições Asa, foi enriquecida com ilustrações de Cristina Valadas e um posfácio da autora.
“Todas as histórias desta obra têm origens de linguagem transmontanas”, anunciou a escritora de Vila Real acrescentando que “quem me iniciou nas raízes transmontanas foram a minha mãe, a minha tia e a ama do meu pai”.
E sobre as suas raízes, algo modificadas, Luísa Dacosta leu o posfácio do livro intitulado “O sabor dos sabores” e no qual se podem ler revelações como: “Para o meu coração de menina, porém, o sabor dos sabores foi sempre a palavra. (…) Todas as minhas doenças foram curadas com a palavra. (…) havia sempre um remédio, que nem precisava de receita: histórias! Como eu as amava! Depois nos contos da mãe tudo acabava em festa (…) Aqui lhe pago a dádiva da palavra, viva, popular, profundamente enraizada na língua. Mas lá em casa não era só a mãe que contava histórias. Havia a minha tia (…) Recitava-me, sobretudo, romances em verso sobre mártires e martírios. (…) Mas já outra palavra me está a guizalhar os ouvidos. Tolitates. Era muito da ama do meu pai. (…) Com tanta história eu própria fazia com as dilectas do meu coração uma boa abada”. A escritora referiu-se às ilustrações de Cristina Valadas que acompanham o texto e tão bem exprimem aquilo que a história narra, transmitindo o mimo da mãe, o afecto pelas bonecas, as doenças curadas com xaropes e a mãe a ler histórias.
A professora leu ainda outra história do livro intitulada "A felicidade não é o que temos, é o que somos", "que inventei em homenagem à minha mãe", disse.
Os mais novos também participaram na apresentação da obra e leram uma outra história de Lá vai uma… Lá vão duas, "Santideus, santitates, tiras-e-viras, sarapitates…".
Luís Diamantino, Vereador do Pelouro da Cultura, agradeceu o facto de "Luísa Dacosta estar aqui connosco a partilhar as suas histórias, que nos cativam e enriquecem”. Recorrendo a uma expressão da própria – “pedagogia do deslumbramento” – afirmou que a escritora “transporta-nos com ela e as suas histórias deslumbram-nos”.
O autarca referiu ainda que “Luísa Dacosta faz parte da nossa cidade e sempre que cá vem traz mais livros do seu espólio para a Biblioteca Municipal”.
No final da sessão, foi-lhe entregue o seu retrato que fez parte da exposição “Rostos e Pessoas” de Hélder de Carvalho oferecido pelo artista à escritora.