"Mais um tesouro na nossa Biblioteca" – Espólio de Luís de Sousa Rebelo
Póvoa de Varzim, 26.07.2010 - A Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim tem, a partir de agora, a Sala Luís de Sousa Rebelo. O espaço foi criado para acolher o espólio do Professor que no passado sábado foi oficialmente doado à Biblioteca Municipal numa cerimónia de assinatura do Termo de Doação do espólio.
Estiveram presentes na sessão Luís Diamantino, Vereador do Pelouro da Cultura, Dulce Rebelo, irmã de Luís de Sousa Rebelo, Helena Castro, amiga do Professor e intermediária da doação, e Salvato Trigo.
O acto foi de grande emoção e para o Vereador da Cultura também motivo de muito orgulho. “Temos aqui uma vida que não pode ser desmembrada.” afirmou Luís Diamantino reconhecendo que “todos nós e sobretudo a cultura sairá a ganhar com este tesouro”. O responsável pela Cultura referiu que esta doação não teria sido possível se não fosse a intervenção da poveira Helena Castro que pela enorme amizade ao Professor e à sua mulher conseguiu trazer para a Póvoa de Varzim mais um tesouro que terá vida própria e vai acompanhar os espólios de Alexandre Pinheiro Torres, Flávio Gonçalves, Francisco Gomes de Amorim, Luísa Dacosta, Manuel Lopes, entre outros. O Vereador demonstrou também o seu reconhecimento a Maria Dolores Rebelo, esposa de Luís de Sousa Rebelo, que soube compreender que a biblioteca do seu marido ao permanecer una, recebendo o tratamento adequado, conta a história da sua vida. Luís Diamantino admitiu ainda que esta doação demonstra a confiança granjeada pelos serviços da nossa biblioteca que sabem fazer o tratamento exacto à documentação aqui depositada, dando-lhe uma segunda oportunidade de vida e, ao mesmo tempo, conseguem mantê-la numa unidade, que reforça o carácter profundo de Luís de Sousa Rebelo. O Vereador admitiu que este espólio enriquece o nosso património e história da cultura em Portugal e como tal merece toda a dedicação e entrega, assegurando que a memória do Professor vai ser devidamente guardada e divulgada.
Dulce Rebelo revelou-se “absolutamente encantada” com a sala Luís de Sousa Rebelo e acredita que o espólio do seu irmão está “muito bem guardado”, o que vai de encontro ao desejo do Professor porque a sua biblioteca será divulgada e partilhada. Dulce Rebelo fez uma sentida evocação a Luís de Sousa Rebelo marcada por sentimentos e actividades culturais que desde a infância marcaram o percurso de vida do Professor que teve uma influência marcante na formação cultural e literária da irmã. Destacando a grande erudição e elevada modéstia de Luís de Sousa Rebelo, Dulce Rebelo revelou que entre eles haviam muitas afinidades e interesses culturais que os ligavam. “Portugal muito lhe deve”, afirmou Dulce Rebelo referindo-se à importante actividade do Professor no estrangeiro que muito contribuiu para a divulgação da língua e cultura portuguesas. Reconhecido por muitos escritores como um excelente crítico literário, “a originalidade e talento de Luís de Sousa Rebelo fazem dele um humanista do nosso tempo”, concluiu Dulce Rebelo.
Salvato Trigo proferiu um discurso panegírico a Luís de Sousa Rebelo que designou de “verdadeiro príncipe renascentista”, referindo-se ao seu percurso de vida “entre o Tejo e o Tamisa”, sendo que o Professor fez quase toda a sua carreira docente em universidades britânicas. Salvato Trigo afirmou que “é justamente à volta de uma biblioteca que a nossa memória se engrandece”, o que acontece com o espólio de Luís de Sousa Rebelo por quem demonstrou “uma admiração intelectual pelo seu saber”. Todos os que continuam connosco vencem a eternidade. Os mortos não vivem mas existem e Luís de Sousa Rebelo tem a sua existência prolongada nestes livros, enunciou Salvato Trigo.
O espólio documental de Luís de Sousa Rebelo, agora na Biblioteca Municipal, é constituído por um valioso conjunto de documentação que ilustra o itinerário literário e intelectual do seu autor: manuscritos dos seus trabalhos publicados, textos de conferências, apontamentos e cadernos diversos, documentos biográficos, diplomas e certificados, fotografias, objectos e recortes de jornais.
No conjunto epistolar destacam-se a correspondência recebida no âmbito das suas funções académicas e de diversos amigos e intelectuais: Charles Boxer, José Saramago, João de Freitas Branco, General Vasco Gonçalves, Rui Knopfli, José V. Pina Martins, Aníbal Pinto de Castro, Maria Helena da Rocha Pereira, Jacinto Prado Coelho, Álvaro Cunhal, Mécia de Sena, David Ramos, António Modesto, entre muitos outros.
A sua biblioteca particular é composta por um importante acervo de 8.600 títulos, livros e publicações periódicas das áreas da História da Literatura portuguesa e estrangeira, com destaque para a biblioteca camoniana, História da Cultura, Linguística, Filosofia, História, ensaios, na sua maioria enriquecidos com dedicatórias dos autores e que reflectem os interesses e campo de estudo do seu proprietário.