Mitos sobre imigração em primeiro plano no Dia Mundial da Tolerância
Póvoa de Varzim, 16.11.2007 - Por cada imigrante que recebe, Portugal tem dez emigrantes espalhados pelo mundo.
Este foi um dos factos avançados hoje na palestra “Mitos e Factos sobre Imigração”, que decorreu no Diana Bar, como forma de assinalar o Dia Mundial da Tolerância.
Tal valida a opinião de Luís Diamantino, vereador do Pelouro da Acção Social, defendida na abertura da palestra: “Temos que nos tolerar uns aos outros e saber receber porque também gostamos de ser bem recebidos” pois, como relembrou, “Portugal tem muitos emigrantes. Agora somos nós que recebemos e somos um país de oportunidades para as outras pessoas e tal só nos enriquece”, dando, como exemplo, a excelente adaptação dos filhos de imigrantes ao sistema de ensino português, tornando-se estes, por vezes, nos melhores alunos da turma.
Tendo como base o ditado “não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”, Zélia Valoura, membro da equipa ENTRECULTURAS, do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), entidade parceira da Câmara nesta organização, foi descontruindo os mitos que surgiram ligados à imigração, como por exemplo, a ideia de que a presença de imigrantes contribui para a taxa de desemprego dos portugueses, para o desgaste da Segurança Social ou para o aumento da taxa de criminalidade. Ideias que não poderiam ser mais erradas, pois, e de acordo com os dados apresentados na palestra, e no que à taxa de desemprego diz respeito, o seu valor mais elevado registou-se numa altura em que não havia uma presença relevante de imigrantes. Quanto à Segurança Social, o perigo de desgaste não se põem, pois esta é também alimentada pelas próprias contribuições dos imigrantes e, no que respeita à criminalidade, a associação entre crime e imigrante resulta, muitas vezes, da falta de contextualização dada pelos meios de comunicação social ou até mesmo pela exclusão social sofrida por aqueles que escolhem o nosso país para viver e trabalhar. A própria saúde dos imigrantes deu origem a outro mito, a de que estes transportavam consigo doenças que depois se propagavam pela restante população. No entanto, e apesar de quando cá chegam se apresentarem saudáveis, os imigrantes adoecem no país de acolhimento, devido às condições precárias de trabalho, à alimentação deficiente e às más condições de alojamento.
Ver a questão pelo lado do imigrante era o grande objectivo desta palestra, reconhecendo que na sua vinda se encontram aspectos positivos, como o enriquecimento cultural, e, a um outro nível, o aumento de bens de consumo e serviços.
Zélia Valoura, e tendo em conta a presença de imigrantes na assistência, deu ainda a conhecer o ACIDI, organismo fundado em 1995, e o Serviço Nacional de Apoio ao Imigrante, que tem parcerias com diversas entidades como o SEF ou o IEFP e que tenta prestar apoio ao imigrante nas várias dificuldades que este encontra no país de acolhimento. Deste Serviço Nacional faz parte o Centro Local de Apoio à Integração dos Imigrantes, serviço inaugurado na Póvoa a 19 de Outubro último, que se integra no Gabinete de Apoio ao IEmigrante.
Dados de 2002 apontam para a existência de 175 milhões de imigrantes em todo o mundo e meio milhão em Portugal. No entanto, e ao contrário do que muitos pensam, Portugal não é dos países que mais imigrantes recebe. Luxemburgo, Suiça, Alemanha, França e Espanha são os destinos mais escolhidos por imigrantes, muitos deles portugueses.