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O artista plástico portuense Marques de Oliveira e a Póvoa de Varzim

Póvoa de Varzim, 12.11.2007 - O recuo a um curto período do século XIX marcado pela sensibilidade artística do pintor portuense Marques de Oliveira fez recordar a acentuada tradição piscatória e a ligação profícua das gentes da Póvoa de Varzim ao mar, na conferência proferida por Assunção Lemos, na passada sexta-feira, na Biblioteca Municipal.

Assunção Lemos é professora na Faculdade de Artes e Arquitectura da Universidade Lusíada de Vila Nova de Famalicão e colaboradora na Universidade Católica – Escola de Artes do Porto – Mestrado em Arte Contemporânea. Doutorada em Ciências das Artes pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, a investigadora dedicou a sua tese de doutoramento ao artista plástico portuense Marques de Oliveira.

A conferencista considera que “a prolongada estadia estival do artista numa escolha voluntária que se estendeu ao longo de treze anos (1880-1893) fez da Póvoa de Varzim, uma “Meca” para outros artistas: cor, misturada com o quotidiano de trabalho e lazer,  de uma Póvoa de Varzim dada a conhecer no Porto e em Lisboa, atraindo nessa divulgação mais veraneantes”.

“Praia de Pescadores”, “Praia de Banhos” e “Esperando os Barcos” foram as obras de Marques de Oliveira a que Assunção Lemos recorreu para ilustrar o retrato das praias poveiras patente nos trabalhos do artista portuense, nomeadamente, da freguesia de Aver-o-Mar, e toda a paisagem envolvente de barcos, pescadores e familiares que aguardam o regresso dos homens do mar. “Marques de Oliveira fizera da Póvoa de Varzim o seu refúgio temporário, que abandona em 1893, quando o seu amigo Silva Porto faleceu”, afirmou Assunção Lemos acrescentando que entre os dois artistas havia uma grande cumplicidade.

Assunção Lemos referiu ainda a dificuldade do artista plástico em ver reconhecido o valor e a qualidade dos seus trabalhos, relembrando o poder que a capital detinha, menosprezando que “na periferia atravessada pelo comboio há gente que labuta, sofre e morre por falta de investimento e de um olhar mais atento e afectuoso”.

João Marques da Silva Oliveira (Porto, 23 de Agosto de 1853 — 9 de Outubro de 1927) foi um pintor naturalista português, considerado,  a par com Silva Porto, introdutor do naturalismo em Portugal. Em 1864 entrou para a Academia de Belas-Artes, completando o curso de história da pintura em 1873. Viveu em França de 1873 a 1879, com o seu colega Silva Porto. Em 1876 e 1877 viaja com Silva Porto pela Bélgica, Países Baixos, Inglaterra e Itália onde permaneceram mais demoradamente. Participa nos Salons de Paris de 1876 e 1878. Em 1879, regressa ao Porto e, à semelhança de Silva Porto, introduz a pintura de ar livre em Portugal. A partir de 1881, e até 1926, é professor na Academia Portuense de Belas-Artes, onde ocupa o lugar de director.

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