Os media em tempo de conflito
José Manuel Fernandes, reconhecido jornalista e director do jornal ”Público”, foi o convidado do dia 12 de Junho, a proferir mais uma palestra, no Salão Nobre, do Ciclo de Conferências organizadas pela EPAM, desta vez subordinada ao tema “Os media em tempo de conflito”.
José
Manuel Fernandes, reconhecido jornalista e director do jornal ”Público”, foi o
convidado do dia 12 de Junho, a proferir mais uma palestra, no Salão
Nobre, do Ciclo de Conferências organizadas pela EPAM, desta vez subordinada ao
tema “Os media em
tempo de conflito”.
Como actuam os jornalistas
em situações de guerra? Numa retrospectiva histórica das principais guerras que
assolaram o mundo desde o século XIX, José Manuel Fernandes apresentou-nos as
diferentes coberturas mediáticas realizadas.
A Guerra da Criméia foi a primeira guerra a
receber uma cobertura jornalística digna desse nome, assinalando um movimento
de expansão e credibilidade do jornal “Times”. O jornalismo independente é
exercido numa tradição de liberdade e crítica que se rompe em 1916. O retrato
sangrento da Iª Guerra Mundial presente em jornais profundamente nacionalistas
provocou um movimento anti-guerra que despoletou a intensidade da guerra. A
censura é, então, reintroduzida e actua sobre as notícias, ‘só saíam as boas,
não saíam as más’. Com a IIª Guerra Mundial, rádio e imprensa tornam-se
instrumentos de propaganda em locais sem liberdade de expressão. As imagens
típicas de uma guerra desde bombas, jovens estropiados a crianças aterrorizadas,
enfim, cenários de morte da cidade de Saigão visíveis nos media, marcam um momento crucial para os órgãos de comunicação
social com importância significativa no desenvolvimento de um conflito. ‘A
Guerra do Vietname trava-se no terreno e nos media’, relata o director do Público.
Para se referir à actual cobertura jornalística
de situações de conflito, José Manuel Fernandes relata casos sintomáticos de
diferentes notícias que abordam uma mesma realidade com diversas versões. Esta
situação resulta do envolvimento inevitável dos jornalistas dificultando a
imparcialidade necessária.
A Internet afunilou as fontes de informação
que, através deste meio, são acessíveis em qualquer canto do mundo. O
conferencista convidado terminou aludindo uma nova realidade, a emergência do
cidadão jornalista, qualquer um de nós desde que tenha ao seu dispor uma das
novas tecnologias que virtualmente nos coloca em qualquer sítio, diminuindo a
fiabilidade do jornalismo.