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Póvoa, Porto e Matosinhos recordaram Rocha Peixoto no 1º Centenário da sua morte

Póvoa de Varzim, 11.05.2009 - Na Póvoa se iniciou, ao Porto foi e em Matosinhos terminou. Este foi o itinerário do Colóquio “Rocha Peixoto no centenário da sua morte”, que decorreu sexta e sábado, reunindo mais de duas dezenas de especialistas abrangendo as variadas áreas a que se dedicou o ilustre poveiro: arqueologia, antropologia e etnografia, arte e museus, ciências naturais e bibliotecas e património.

Póvoa, Porto e Matosinhos recordaram Rocha Peixoto no 1º Centenário da sua morte

Descerramento da placa, na casa onde viveu Rocha Peixoto

O Encerramento do Colóquio aconteceu na Santa Casa da Misericórdia de Matosinhos onde estava patente uma Exposição de ex-votos dos séculos XVIII e XIX, colecção que foi alvo do estudo de Rocha Peixoto. Este foi o momento escolhido por João Francisco Marques, Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do 1º Centenário da morte de Rocha Peixoto, para falar em “promessas”: publicação das actas do Colóquio que “serão um documento de ciência que vão honrar a comunidade científica portuguesa”, a edição do Ensaio dos Ex-Votos (Tabulae Votivae) da autoria de Rocha Peixoto e ainda, após reunir a Correspondência de Rocha Peixoto, publicá-la. “Por isso, nesta hora de despedida porque a palavra que mais se troca é ‘desejo’, eu espero que estas promessas tenham a viabilidade que desejo para bem da cultura e do prestígio merecido pelo homenageado”, concluiu João Francisco Marques. Luís Diamantino, Vereador do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, referiu-se às promessas expressas por João Francisco Marques como “um plano editorial ambicioso mas com certeza que com dedicação, esforço, boa-vontade e muito amor àquilo que se faz se irá concretizar”. A propósito das Comemorações do 1º Centenário da morte de Rocha Peixoto, Luís Diamantino afirmou que, quanto mais não fosse Rocha Peixoto conseguiu fazer com que três câmaras municipais se unissem num acto cultural. O vereador confessou ainda que a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim não faz mais do que a sua obrigação ao reconhecer o trabalho de um poveiro notável como foi o homenageado, esta uma característica dos poveiros que fez questão de mencionar “sabemos ser fiéis aos nossos e à sua memória”. Fernando Rocha, Vereador do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Matosinhos, assumiu desde logo a sua condição de poveiro e revelou que Matosinhos se associou imediatamente à iniciativa por achar que devia lembrar aqueles que contribuíram para a memória da sua terra. “Alicercei toda a minha postura na enorme ligação que existe entre a Póvoa de Varzim e Matosinhos”, divulgou Fernando Rocha referindo a título de exemplo que até os nomes tradicionais das famílias das duas terras são os mesmos. “Nunca abdiquei das minhas raízes”, o que considero fundamental para o desenvolvimento das políticas culturais afirmou o autarca lembrando que “cada vez mais temos que trabalhar em rede para desenvolver uma política cultural sustentável. Assim, os resultados são muito melhores”. Fernando Rocha terminou com uma palavra de compromisso a João Francisco Marques de participar nas publicações porque são elas que eternizam aquilo que é dito nos colóquios.

Encerramento colóquio
Encerramento do Colóquio, na Santa Casa da Misericórdia de Matosinhos

Um dos momentos marcantes do Colóquio foi o descerramento da Placa Comemorativa do 1º Centenário da morte de Rocha Peixoto na casa onde viveu, em Matosinhos. João Francisco Marques, Luís Diamantino, Fernando Rocha e familiares de Rocha Peixoto uniram-se neste acto.

visita biblioteca porto
Visita à Biblioteca Pública Municipal do Porto

E porque o percurso de vida de Rocha Peixoto nos obriga a uma peregrinação por três cidades, antes do encerramento em Matosinhos, o Colóquio passou pelo Porto, numa visita à Biblioteca Pública Municipal do Porto, que Rocha Peixoto dirigiu entre 1900 e 1909. Esta época foi marcada por grandes obras de restauro do edifício, em conjunto com a reorganização de serviços existentes e a criação de outros, pela reforma do sistema de classificação, redefinição das funções do pessoal e ainda modernização dos critérios de catalogação. Durante este período foram fundadas três pequenas bibliotecas públicas (Bonfim, Cedofeita e Foz) dotadas de publicações modernas, existentes entre os duplicados da Biblioteca. Em 1901, Rocha Peixoto promoveu doações às bibliotecas da Póvoa de Varzim e de Ponte de Lima.

painel bibliotecas
Painel Bibliotecas e Património, no Museu Municipal

Arqueologia, Antropologia e Etnografia, Arte e Museus, Ciências Naturais e Bibliotecas e Património foram os títulos dos cinco painéis que preencheram o Colóquio “Rocha Peixoto no centenário da sua morte”, que decorreu no Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim, durante o dia de sexta-feira e a manhã de sábado, com a participação de uma centena de pessoas. Manuel Costa, Director da Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim, apresentou o espólio e a Biblioteca Digital Rocha Peixoto que disponibiliza os títulos da biblioteca particular de Rocha Peixoto dando a conhecer a sua bibliografia activa e passiva no Sítio Oficial das Comemorações de Rocha Peixoto. O Director informou das motivações e das estratégias delineadas em 2006 e que presidiram ao desenvolvimento desde então do projecto de tratamento e disponibilização do espólio, e apresentou o trabalho realizado pela equipa técnica, dando ainda a conhecer a Biblioteca Digital Rocha Peixoto e o seu enquadramento na Biblioteca Poveira Digital, na qual o espólio Rocha Peixoto se irá integrar, a par com os demais espólios existentes na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto. Manuel Costa referiu ainda que enquanto a biblioteca particular foi doada pelo próprio, os restantes documentos do espólio conheceram vários destinos, pois apenas uma parte foi entregue à Biblioteca Municipal nos anos cinquenta. Por outro lado, a biblioteca e esse espólio estiveram arrumados em diversos espaços. Só com as comemorações do 1º centenário do nascimento de Rocha Peixoto, em 1966, foram inauguradas instalações que permitiram acolher o espólio. É também nessa altura que Flávio Gonçalves apresenta e publica elementos bio-bibliográficos sobre Rocha Peixoto, fixando assim informação valiosa sobre a documentação existente na Biblioteca Municipal e sobre o paradeiro de outros núcleos documentais guardados em espólios particulares. As comemorações dos 100 anos da morte de Rocha Peixoto, que decorrem em 2009, constituíram a oportunidade para se tratar e disponibilizar esse espólio, que até 2008 esteve acondicionado de forma deficiente e sem critérios, comunicou o Director da Biblioteca.

Os especialistas das diversas áreas apresentaram rigorosas e documentadas comunicações cujos resumos estão disponíveis no Sítio Oficial das Comemorações de Rocha Peixoto e posteriormente serão publicadas em Actas.

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