Rates em festa para receber o rei D. Manuel. Feira renascentista animou o fim-de-semana
Pelos inícios de 1500, o rei D. Manuel I terá passado por São Pedro de Rates, na peregrinação que fez a Santiago de Compostela.
A acompanhá-lo, a rainha e um cortejo de criados e soldados para sua defesa e à sua espera, em Rates, uma feira com produtos variados, músicos e a animação normal de uma vila em festa, no dia em que recebe o seu Rei. E também momentos menos agradáveis, como a existência de um condenado, amarrado ao pelourinho da vila, mesmo em frente à casa da Câmara, com visíveis sinais de maus tratos e que só o rei poderá salvar. D. Manuel, recebido pelas autoridades de Rates, dá então sinais da sua clemência, perdoando o condenado, que é solto de imediato. Entre todas as pessoas que nesse dia terão saído à rua, deverão ter estado os pais de Tomé de Sousa, que nasceu em Rates, em 1503, vindo a tornar-se governador-geral do Brasil. A coincidência de datas permite pensar que a mãe desta futura figura da nossa História estaria já então grávida de Tomé de Sousa, por altura da passagem do cortejo real.
Com base na peregrinação que D. Manuel I fez a Santiago e sabendo que por Rates passa uma das rotas dos peregrinos para esta cidade galega, encenou-se, este fim-de-semana, a passagem do cortejo real pela vila, apesar de não se poder afirmar com certeza que terá sido este o caminho seguido pelo rei. Mas valeu a pena acreditar que assim foi, porque São Pedro de Rates e o seu magnífico centro histórico constitui o cenário ideal para enquadrar este tipo de recriação.
E as gentes da vila quiseram participar. Perto de uma centena de pessoas aceitaram vestir os magníficos trajes feitos à mão, segundo reproduções da época, bem como as túnicas mais simples, envergadas pelas gentes do povo. Para este cortejo foram desenhados e confeccionados mais de 70 fatos completos, todos feitos à mão e com tecidos que se procurou fossem o mais aproximados possível aos da época, o século XVI. Estes trajes foram todos feitos na Póvoa, por Elisa Novais que, habitualmente, se dedica à confecção dos guarda-roupas das procissões, e que, para esta feira, seguiu os esboços que lhe foram fornecidos pelo Museu local. Vários meses de trabalho foram necessários para concretizar este cortejo de grande impacto visual e que saiu à rua, pela primeira vez, na tarde de sábado.
O cortejo, que atravessou as principais ruas do centro histórico, terminou no adro da igreja, onde estava montada uma feira com venda de produtos regionais. Os músicos, que acompanharam a passagem do rei, animaram o resto da tarde, no largo da feira.
No domingo, a chuva ainda ameaçou
arruinar a repetição da feira e do cortejo, mas a tarde acabou por trazer o sol
e ainda mais pessoas para o centro de São Pedro de Rates.
Esta foi uma iniciativa da Câmara
Municipal, através do Museu Municipal, inserida no programa de animação dos
sítios históricos, que já levou à recriação, no passado dia 12, de parte do
caminho de Santiago, também em Rates.