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Raul Lino e a Arquitectura da 1ª República

Póvoa de Varzim, 24.09.2010 - A Arquitectura no tempo da 1ª República deu mote a uma conferência proferida por Fátima Sales, ontem à noite no Arquivo Municipal.

Sobre esta época, a conferencista referiu que foi um período histórico agitado e complexo e no que se refere à arquitectura foi “um período seminal onde habita a razão de ser do nosso presente”. “Muita da nossa mentalidade surgiu aí. Várias facetas do Portugal de hoje surgiram aí”, acrescentou a especialista em Arquitectura Moderna.

A Arquitectura que tende a impor-se na 1ª República baseia-se num romantismo ampliado e num certo classicismo, entra-se num ciclo romântico ou moderno, dir-se-ia mesmo contemporâneo, caindo por terra as razões metafísicas. Destaca-se, deste período, a construção de pontes (Arquitectura do Ferro), a Arte Nova (janelas e fachadas com motivos florais) e ainda os edifícios modernos de cimento armado (Arquitectura mais leve). O Teatro Politeama, o Hotel Termal de Vidago e o Hotel Termal da Cúria são alguns exemplos da arquitectura ligada ao espectáculo e ao bem-estar desta época que também investe na educação através da construção de escolas (arquitectura musculada).

Raul Lino foi um arquitecto português considerado como um dos primeiros exemplos de arquitectura ou design modernos numa linha tradicionalista. Ao longo dos seus 70 anos de artista e arquitecto, defendeu a tradição na concepção das formas, afirmando que a arte e a arquitectura são elas também um produto do homem e para os homens, com história, genealogia, características e funcionalidades próprias do espaço e do tempo em que se inserem e da comunidade para que são produzidas. Foi, assim, um defensor da tradição versus modernismo ou um modernista da tradição.

Fátima Sales afirmou que Raul Lino expunha e propagandeava as suas ideias e assumia uma posição de recusa aos efeitos que a indústria tinha causado no homem. “Recusava-se a ser moderno num tempo em que tinha que ser moderno”, concluiu. A conferencista informou que é notório em Raul Lino a importância de um diálogo fundamental entre a arquitectura e o local, preocupação visível na Casa dos Patudos (1904) pelo solo em que assenta marcada pela paisagem da Lezíria.

Ao longo da sua vida, projectou mais de 700 obras, tais como a Casa dos Patudos, em Alpiarça, para José Relvas (1904), a Casa do Cipreste, em Sintra (1912), o Cinema Tivoli, em Lisboa, (1925), o Pavilhão do Brasil na Exposição do Mundo Português de 1940.

Foi ainda autor de numerosos textos teóricos sobre a problemática da arquitectura doméstica popular, como A casa portuguesa (1929) e Casas portuguesas (1933).

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Luís Diamantino, Vereador da Cultura, presente na Conferência, referiu que Raul Lino “era um arquitecto como hoje deveria haver” porque pensava na casa como algo para ser habitado, respeitando a “tradicional casa portuguesa, assumindo a arquitectura do local”, algo que na opinião do Vereador não é comum aos arquitectos de hoje em dia.

Esta foi a segunda de um ciclo de conferências que o Arquivo Municipal organiza no âmbito das Comemorações do Centenário da Implantação da República, sendo que a última terá lugar a 9 de Dezembro, com José Augusto de Sotto Mayor Pizarro. Estão ainda previstas conferências a 21 de Outubro e 4 de Novembro com Gaspar Martins Pereira e Maranhão Peixoto, respectivamente.


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