Rocha Peixoto Arqueólogo recordado por José Flores em Artes & Ofícios
Póvoa de Varzim, 26.05.2009 - A Biblioteca Municipal leva a cabo mais uma Sessão de Artes & Ofícios dedicada a Rocha Peixoto, no âmbito das Comemorações do 1º Centenário da sua morte.
A actividade terá lugar no dia 03 de Junho, quarta-feira, às 14h30 e irá abordar a arqueologia, uma das áreas de estudo e investigação de Rocha Peixoto.
O convidado é José Manuel Flores Gomes, arqueólogo do Gabinete Municipal de Arqueologia, que irá esclarecer os mais novos sobre esta disciplina científica que estuda as culturas e os modos de vida do passado a partir da análise de vestígios materiais através de escavações, técnicas e métodos.
Foi Rocha Peixoto quem realizou os primeiros trabalhos arqueológicos na Cividade de Terroso, uma das mais importantes estações arqueológicas da Cultura Castreja do Noroeste Peninsular, em 1906 – 1907, e os vestígios encontrados revelaram a importância histórica do local. Depois da sua morte, em 1909, a cividade ficou entregue ao abandono e somente em 1980 foram retomadas as escavações. O reinício dos trabalhos foi levado a cabo por Armando Coelho F. da Silva e continuados por José Manuel Flores Gomes.
As explorações de Terroso serviram de incentivo às do castro de Laundos, realizadas em 1907, a expensas do Dr. David José Alves, após a descoberta no local de jóias proto-históricas.
Já anteriormente, em 1892, Rocha Peixoto insurgiu-se contra a falta de protecção oficial das relíquias arqueológicas poveiras, e atentados de muitos particulares perante objectos de valor arqueológico. Em Fevereiro de 1903, estando a passar férias de Carnaval, na Póvoa de Varzim, Rocha Peixoto tomou conhecimento da descoberta casual de um achado arqueológico no Alto de Martim Vaz, Póvoa de Varzim, constituído por fragmentos de olaria luso-romana e objectos de pedra.
Para além disso, foram vários os achados arqueológicos e etnográficos que Rocha Peixoto levou para o Museu Municipal do Porto, dado que a Póvoa de Varzim ainda não possuía um Museu na altura, evitando o seu abandono e degradação. Alguns exemplos são: as peças desenterradas dos castros de Terroso e de Laundos, uma arca funerária medieval de S. Pedro de Rates, capitéis do século XII de Rates, o capitel românico historiado da igreja matriz de Amorim, três marcos divisórios da Casa de Bragança, de granito e armoriados, de Amorim, Beiriz e Terroso.