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Sedução vs suspense - a critica à literatura em O Priorado de Cifrão

Póvoa de Varzim, 17.11.2008 - "É um livro de sátira que espero que faça rir e sorrir algumas pessoas e também que, de certo modo, lhes crie angústia e as faça pensar. Procurei escrever um livro que dê prazer a ler e provoque emoções." Estes foram os objectivos que João Aguiar assinalou como subjacentes à escrita de O Prioridado do Cifrão, na sessão de lançamento na Póvoa de Varzim, a 14 de Novembro.

A narrativa de O Priorado do Cifrão abre com o misterioso assassinato de um catedrático com um alfinete de chapéu de senhora na Secção Mesopotâmia do Museu Britânico.

O catedrático de Bristol preparava um livro em "que atacava com erudição e desusada virulência um autor americano, Ben Browning, o mesmo que publicara The Caravaggio Papers, romance que conhecera um êxito sem precedentes". Através deste enredo João Aguiar reflecte sobre o actual estado da literatura, remetendo para  alguns sucessos literários recentes como O Código Da Vinci de Dan Brown e, naturalmente, todos os que se seguiram e manipulam o leitor sem provocar nele qualquer reacção .

João Aguiar defende que "a escrita é um exercício de sedução, mas há que pôr o leitor a pensar, não chega apanhar o leitor pela curiosidade ou pelo ‘suspense’". "Eu escrevo porque quero ser lido, mas não sou capaz de pensar directamente no leitor quando estou a trabalhar, ou em criar este ou aquele efeito. Depois espero só que gostem", acrescentou.

"Uma literatura boa, com ‘l’ maiúsculo não tem de ser uma literatura difícil de ler, pelo contrário. O meu modelo é a prosa fluida, pois considero que a simplicidade é um artifício muito grande da escrita”, esclareceu o escritor que admitiu ser influenciado por Eça de Queirós que considera o grande mestre dos ficcionistas portugueses.

O autor de O Priorado do Cifrão referiu ainda que “se eu souber que servi de ponto de partida para um leitor, dá-me uma satisfação e prazer únicos”.

Na Póvoa de Varzim, João Aguiar não pode deixar de recordar a primeira vez que cá esteve, no ano 2000, e que foi o ponto de partida para a escrita do livro Uma Deusa na Bruma, romance sobre a Cividade de Terroso, pelo qual o autor tem uma ternura especial.

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