Semana do Ambiente: importância da dinâmica litoral discutida nas escolas secundárias
Póvoa de Varzim, 02.06.2009 - Alunos do 11º e 12º ano da Escola Secundária Eça de Queirós reuniram-se esta manhã, 2 de Junho, para ouvir falar sobre a "Dinâmica Litoral e Ecologia entre Marés".
A
mesma palestra decorreu, também, na Escola Secundária Rocha Peixoto.
Proferida
por Mário Cunha, a palestra organizou-se no âmbito da Semana do Ambiente e, tal
como explicou Manuel Angélico, Vereador do Pelouro do Ambiente, na abertura da
sessão, pretende “realçar o que temos de bom nas nossas praias, de forma a
valorizar e conhecer o nosso litoral”.
Aluno do
2º ano de Biologia Marinha e bolseiro do Centro de Investigação Marinha e
Ambiental (CIMAR), Mário Cunha fez questão de iniciar a sua intervenção frisando
o grande impacto que o Homem tem na Ecologia Marítima. De facto, a faixa
litoral é não só uma área onde se concentra grande parte da população, como
também uma grande quantidade de ecossistemas.
E para
ajudar os alunos a perceber a biodiversidade existente, Mário Cunha fez a
distinção entre estuários e zona intertidal. A primeira, de que já todos ouvimos
falar, é de extrema importância para a produtividade biológica, é um foco de
alimentação para muitas espécies de peixes, apresenta um papel de extrema relevância
na migração das espécies como a lampreia ou a enguia, e funciona também como
maternidade para, por exemplo, o sargo ou o linguado. Já a zona intertidal, ou
seja, a que está situada entre o limite da maré baixa e o limite da maré alta, é
sensível a elementos como a construção de protecções costeiras, como os
esporões, que resultam na alteração das condições naturais ali existentes. A
própria acção humana pode também resultar em consequências nefastas nesta zona,
dado que as formações rochosas que surgem na maré baixa são muito frequentadas
por banhistas que, como lembrou Mário Cunha “matam espécies sem dar por isso”.
Em
termos de impacto ambiental, Mário Cunha referiu a construção de barragens, que
levam ao assoreamento das albufeiras e à redução do transporte sedimentar, e a
dragagem, usada para permitir a navegabilidade. Esta resulta num défice de
sedimentos, que por sua vez leva à deriva litoral, uma tentativa da Natureza
para repor esses sedimentos em falta. Com a dragagem são recolhidos dois tipos
de sedimentos: os de boa qualidade, usados na construção de civil, e os de má
qualidade que são depois transportados para a plataforma continental. No
entanto, e como se tem verificado que as empresas não respeitam a distância da
costa a que devem ser colocados estes sedimentos, as espécies existentes na zona
de deposição correm o risco de ficar soterradas e morrerem por asfixia, uma
consequência que afecta sobretudo as espécies ventónicas, isto é, as que
habitam a mais
profundidade. Depositar estes sedimentos na deriva litoral é uma solução
apontado por Mário Cunha, e que permitiria que a extracção de areias
funcionasse como um ciclo.
A erosão
costeira é outra das consequências da acção humana, e talvez a mais visível para aqueles que
todos os anos se deslocam às praias. O descalçamento das dunas, o aumento do
nível médio do mar e as obras de protecção do litoral são, uma vez mais, os
factores na base desta problemática. A nível da biodiversidade do litoral, as
consequências vão desde a diminuição dessa biodiversidade, até ao aparecimento
de espécies invasoras, que encontram neste “mundo” em mudança as condições
ideais para se propagarem.
O
ordenamento do litoral, a implementação de programas de vigilância e de
monitorização dos ecossistemas costeiros e a gestão da utilização recreativa da
praia são quatro medidas defendidas por Mário Cunha que devem ser tidas em
conta no futuro, de forma a evitar o agravamento dos problemas que neste
momento afectam todo o litoral
português.
A Semana
do Ambiente termina no próximo dia 5, Dia Mundial do Ambiente. Durante toda
esta semana o público
é convidado a comparecer na Praça do Almada onde, no Coreto, está a decorrer um
Ateliê do Ambiente que propõe actividades diversas com base na reutilização e
reciclagem de materiais. No dia 4 decorre nova palestra sobre o Ambiente no
Diana Bar, às 14h30, e no dia 5, na EB 1 Fieiro, em Aguçadoura, é lançado o
Triopolis, uma ferramenta multimédia didáctica que a autarquia vai oferecer a
todas as escolas básicas do concelho.