VIII Mostra de Teatro Escolar – a festa do teatro e da juventude
Póvoa de Varzim, 07.04.2008 - A Escola Secundária Rocha Peixoto tem razões para estar satisfeita. Oito anos depois, a Mostra de Teatro Escolar que organiza anualmente voltou a confirmar o sucesso, levando centenas de jovens ao Auditório Municipal para celebrar a arte da representação.
Durante cinco dias, de 31 de Março a 4 de Abril, com duas peças por dia, sempre com casa cheia, a Mostra envolveu a participação de sete escolas de Braga, Évora, Benedita (perto das Caldas da Rainha), Faro e da Póvoa de Varzim, escolas onde o teatro é uma paixão para os alunos que a ele se dedicam fora do tempo lectivo. A disciplina não faz parte do currículo escolar, mas arranja-se sempre tempo para ensaiar e para partilhar depois, na Póvoa de Varzim, o trabalho de criatividade que a todos envolve, alunos e professores. E são surpreendentes as adaptações de alguns textos clássicos, as encenações produzidas e o trabalho em palco dos jovens actores, alguns com evidente talento para a representação e capazes de dar vida e credibilidade ao mais complexo dos personagens.
Coube ao grupo Devisa, da Secundária Rocha Peixoto abrir a Mostra de teatro com “Salomé”, peça de Óscar Wilde, de 1894, que viria a inspirar Richard Strauss para a composição de uma ópera. À noite, foi a vez de a Escola Secundária Eça de Queirós, através do Trup´Eça, levar ao palco do Auditório “Nunca”, baseada em Peter Pan, obra de J. M. Barrie. Uma peça onde o poder da imaginação foi um exercício partilhado com o público.
No dia
1 de Abril, a Oficina de teatro Amador O.T.A., da Escola Secundária Alberto
Sampaio, de Braga, pôs em cena, na sessão da tarde, “O Retábulo das
Maravilhas”, a reescrita pelo autor francês Jacques Prévert de um original de Miguel de Cervantes . À noite, às 21h30, a Rocha Peixoto regressou ao palco com
“Marcado pelo Tipex”, de António Onetti, a história de um “jovem e péssimo”
escritor de policiais às voltas com uma história para um novo livro. O escritor tem uma ideia
para a complexa história de crimes e tráficos, mas as personagens têm outra. Com
grande sentido de humor, ficou a questão bem séria: vivemos, de facto, as
nossas próprias vidas ou somos condicionados por um guião que alguém escreveu?
No dia 2, o grupo Gatapum, da
Escola Secundária André Gouveia, de Évora, apresentou, às 15h30, “Histórias do
Valentin”, um conjunto de oito pequenos textos representativos do autor alemão
Karl Valentin e que voltaram a ser um piscar de olho ao espectador, convidado a
ser parte da peça. O texto de apresentação era, de resto, bem explícito: “você,
que entrou nesta sala e está agora a ler este papel vai entender bem a sua
função de espectador de uma peça de teatro. Obrigatório” Às 21h30, nesse mesmo
dia, a Rocha Peixoto repôs “Salomé”, peça que abriu esta VIII Mostra de Teatro
Escolar.
“Fim de Linha”, pelo grupo OS Gambuzinos, do Externato Cooperativo da Benedita
A 3 de Abril subiu ao palco do Auditório “Fim de Linha”, pelo grupo OS Gambuzinos, do Externato Cooperativo da Benedita. Peça sobre as vicissitudes do poder, construída a partir de um texto da escritora italiana Letizia Russo, que coloca um grupo de adolescentes a viver numa colina, sem a supervisão de adultos, mostrando, desta forma, a natureza humana e a luta pelo poder. Nessa noite foi altura de rever “Marcado pelo Tipex”, na interpretação da Escola Secundária Rocha Peixoto.
No último dia desta mostra, 4 de Abril, o grupo Improviso, da Escola Secundária Tomás Cabreira, de Faro, foi buscar inspiração a William Shakespeare para fazer “O Gato de Hamlet”, peça em que a vida e o teatro não se distinguem. Um grupo de adolescentes ensaia Hamlet, mas as suas vidas pessoais acabam por se misturar na peça e nos ensaios, desde o telemóvel da encenadora que não pára, até ao gato do namorado, que nunca mais aparece.
"Salomé", pela Escola Secundária Rocha Peixoto
A VIII Mostra de Teatro Escolar da Póvoa de Varzim terminou como começou, com “Salomé”, apresentada pela Escola Secundária Rocha Peixoto, no Auditório Municipal, que acolheu todas as peças do evento. O público destes cinco dias do evento foi variado, mas predominaram os jovens, sobretudo nas peças que foram apresentadas à tarde. E é a força da juventude que sobressai desta mostra, enchendo o palco e a plateia, celebrando a arte da representação, dedicando o seu tempo a experimentar novas formas de sentir e comunicar.