Homenagem a Agustina Bessa-Luís dá início ao Correntes d’Escritas 2010
Póvoa de Varzim, 24.02.2010 - Começou hoje a edição de 2010 do Correntes d’Escritas. A sessão inaugural teve lugar no Casino da Póvoa e foi marcada pela homenagem a Agustina Bessa-Luís.
A 11º edição do Correntes d’Escritas começou hoje, na Póvoa de Varzim. A sessão inaugural teve lugar no Casino da Póvoa e contou com presenças ilustres como Inês Pedrosa, valter hugo mae e o Presidente da Câmara da Póvoa.
A abertura do evento foi
o momento escolhido para a entrega dos prémios aos vencedores dos concursos. O
divulgado Prémio Literário Casino da Póvoa foi atribuído a Maria Velho da
Costa, pelo livro Myra. A concurso
estavam também obras de Inês Pedrosa, Mário de Carvalho, valter hugo mae, entre
outros. Também os mais novos tiveram direito a reconhecimento público, através
do Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes d’Escritas Porto Editora e do
Prémio Literário Correntes d’Escritas Papelaria Locus.
Mas, acima de tudo, a
manhã foi de homenagem e de palavras sentidas. A destinatária, Agustina
Bessa-Luís. Perante uma sala cheia, vestida de preto e dourado, no Casino da
Póvoa, onde escritores e jornalistas
escutavam atentamente tudo o que era dito, valter hugo mae, Inês Pedrosa e
Mónica Baldaque, filha de Agustina, prestaram homenagem à escritora de Sibila.
Numa primeira
intervenção, valter hugo mae, em representação de todos os escritores, falou da
ligação que tem com a Póvoa e de como foi nessa cidade que se aproximou,
através da leitura, de muitos dos grandes autores. Foi graças à curiosidade que
sempre teve em conhecer os escritores que admira que chegou até Agustina
Bessa-Luís. “Abeirei-me para adorá-la”.
Já Inês Pedrosa pegou exactamente neste conceito – o adorar – para questionar a sua utilização. Compreende a postura de adoração como a de contemplação de algo que está num pedestal, considerando que a mulher tem sido objecto de adoração ao longo dos anos. Prefere o termo amar. E afirma que Agustina deve ser amada.
“A minha mãe sempre disse
que não gostava de homenagens mas que também não gostava de não ser
homenageada”. Quem o contou foi Mónica Baldaque. A filha da escritora explicou,
por sua vez, como é incómodo representar Agustina Bessa-Luís, doente há 3 anos.
Referiu-se ainda às memórias que tem da sua mãe e dos locais onde estiveram
juntas. As tertúlias no Diana Bar, na
Póvoa, em que participavam Agustina, José Régio, pontualmente Manoel de
Oliveira, ..., foram também relembradas, num exercício de “direito à memória”.
Numa sessão onde foi
ainda invocada a Declaração Universal dos Direitos das Crianças, jovens de
escolas da zona subiram ao palco para ler alguns poemas como o Urgentemente, de Eugénio de Andrade.
Coube ao Presidente da
Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, José Macedo Vieira, o encerramento da sessão.
Foi um momento de reflexão sobre o actual panorama mundial e sobre os ainda
existentes “adversários da liberdade”. Para o Presidente da Câmara, os meios
electrónicos não substituem os livros. “Livro, em papel e ponto final”. E é de
livros e dos seus autores que se vão tecer correntes até Sábado, na Póvoa de
Varzim.
Texto e Fotografias: Ágata Ricca