Arroz de Sardinha
I
“A Srª Margarida Poças, viúva de Lanchão, preparava o arroz do modo seguinte: Fazia um estrugido com cebola picada, azeite, sal e salsa. Quando a cebola estava estalada acrescentava a calda e, depois de bem temperada, metia o arroz. Quando este já estava quase pronto, isto é, com mais ou menos um dedo de calda, colocavam-lhe as sardinhas, previamente amanhadas, acamadas sobre o arroz que se deixava acabar de cozer. É bom. As sardinhas ficavam óptimas e o arroz não sabe a sardinhas.”
II
“ A Srª Alexandrina Pinheiro fazia-o de outro modo: amanhava e salgava as sardinhas; depois, punha no fundo de um tracho rodelas de cebolas; seguidamente acamava as sardinhas; colocava, novamente, rodelas de cebola, tomate, sardinhas, acabando por acamar sardinhas. Regava com azeite, juntava água e refogava em lume brando, não esquecendo, claro, o colorau, o loureiro e um pouco de cominhos. Quando as sardinhas estivessem cozidas, escorria-se-lhes bastante calda para outro tacho, acrescentava-se e retificava-se os temperos. Deixava-se ferver o arroz e serviam-se as sardinhas e o arroz à parte.”
“ A 3ª receita é a que mais
vulgarmente se come na Póvoa no dia de S. Pedro e em quase todos os
restaurantes.
Amanham-se as sardinhas (grandes). Faz-se um estrugido com cebola, alhos também picados, loureiro, tomates, e, agora, também pimentos às tiras fininhas. Depois de tudo bem refogado, acrescenta-se a calda, mete-se o arroz e faz-se o mesmo que a Srª Margarida Poças fazia às sardinhas, só que, depois, enquanto o arroz está malandrinho e as sardinhas já estão cozidas, tiram-se para fora e, depois de se lhes tirar as espinhas, misturam-se no arroz aos bocados.
Qualquer destas receitas é boa. Também se usava comer farinha de pau feita no molho de ensopar as sardinhas."
Costa, Maria da Glória Martins da - "O Comer do Pescador Poveiro", In. P.V. Boletim Cultural, vol. 27, nº 1(1990), p.223-224