Pataniscas e Iscas
Não são, com
certeza, petiscos característicos da culinária poveira, mas, como se refere no artigo de Maria da Glória Martins da Costa,
faziam também parte das refeições dos habitantes
locais.
Como noutros
pratos, também aqui a imaginação e o gosto de cada um fazem com que a receita possa apresentar as mais diversas
variantes.
Actualmente,
mais as pataniscas do que as iscas, tornaram-se um prato muito apreciado, fazendo parte da ementa de muitos
restaurantes, que as servem ou acompanhadas de arroz
de grelos ou de feijão vermelho. De comida
de gente pobre, passaram mesmo a
especialidade gastronómica de muitos restaurantes, transcendendo, assim, a sua origem humilde e simples.
Para as pataniscas:
“Com farinha
triga e água, faz-se um polme, junta-se-lhe sumo de limão e os ovos necessários para lhe dar cor. Depois, junta-se
a este polme o bacalhau esfiado, que pode ser
demolhado ou até da peça se se
tiver o cuidado de o desfiar muito bem e lavar em duas ou três águas. Põe-se ao lume uma frigideira com óleo ou
azeite e vão-se fritando colheradas deste polme, dobrando
duas ou três vezes conforme o gosto”. 1
Quanto às iscas:
“Faz-se um polme como o indicado para as pataniscas, mas junta-se-lhe cebola picada e salsa também picada. Dá-se uma entalidela a postas pequenas de bacalhau. Deita-se uma colherada de polme na frigideira com óleo bem quente, no centro põe-se uma posta de bacalhau e dobram-se as pontas para cima do bacalhau”. 2
In: Póvoa de Varzim Boletim Cultural, Vol. 27, nº 1 (1990), p.209
2 Idem, p. 209