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Destaque

Etnografia

Tradicionalmente, no concelho da Póvoa de Varzim, apesar da sua pequena dimensão, podemos detetar diferentes tipos humanos e diversos usos e costumes, fruto de vários condicionalismos geográficos e atividades económicas.
A partir da pesca e da agricultura combinaram-se três formas de subsistência: o ancoramento ribeirinho do pescador poveiro que tem a pesca como atividade exclusiva; a fixação na orla marítima do seareiro de Aver-o-Mar e Aguçadoura que granjeava no mar e em terra e, por fim, a sedentarização do lavrador, enraizada em solo firme.
O traje é o elemento externo onde mais facilmente se notam as particularidades de cada zona. A forma de vestir do pescador poveiro destaca-se pela sua originalidade - o traje de branqueta, apresentado pelo Grupo Folclórico Poveiro, é somente um dos muitos e interessantes modos de trajar da "colmeia" piscatória. Nas outras duas comunidades sentem-se as influências minhotas e maiatas.
Nas danças e cantares, tanto nas chulas, malhões e viras, como nas danças de roda do poveiro, o suporte instrumental é, com ligeiras diferenças, o mesmo: a concertina, o acordeão, a viola, o cavaquinho, os ferrinhos, o reco-reco e o bombo.
No Folclore refletem-se aspetos da vida quotidiana. Talvez por isso, os povos da beira-mar exibem danças mais vivas, como que condicionados pelo incessante rumor das águas e elevem pouco os braços, invocando talvez o alar das redes, enquanto que o lavrador projeta bem os membros superiores para cima, lembrança, quiçá, das fatigantes mas "altivas" malhadas.
São muitos os agrupamentos folclóricos no concelho, praticamente cada freguesia tem o seu grupo representativo. O mais antigo é o "Grupo Folclórico Poveiro" fundado em 1936 por António dos Santos Graça.

 

Ala-Arriba! – expressão muito própria da cultura e identidade local, que significa «força, para cima»! Era gritada quando se puxavam os barcos para terra, por toda a comunidade. Foi Leitão de Barros com o filme do género drama-documental «Ala-Arriba», rodado em 1941-42, baseado no livro «O Poveiro», que deu a conhecer a Portugal e ao mundo a típica comunidade piscatória da Póvoa de Varzim.

 

Grupos Folclóricos


Grupo Folclórico Poveiro

Foi fundado em 24 de Junho de 1936, pelo etnógrafo poveiro António dos Santos Graça, com a finalidade de manter vivos os trajes, danças e cantares dos pescadores.

Ao longo da sua atividade, o Rancho Poveiro, como é conhecido, dançou por todo o Portugal, desde o Minho ao Algarve, em Espanha, França, Suíça, Brasil e Bélgica.

Os trajes são os usados pelos pescadores da Póvoa nos finais do século XIX, predominando a “branqueta” (fazenda de lã branca) nas saias e nas calças e ainda a tão famosa camisola poveira, de lã branca, bordada a ponto de cruz com motivos marítimos, que as raparigas ofereciam aos namorados.

A tocata é formada por acordeões, violas, cavaquinhos, bombo e ferrinhos. As chulas, os viras e as danças de roda são as mais tradicionais.

Desde a sua fundação, o Rancho Poveiro está sob a responsabilidade da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, sendo um digno representante da cultura popular local.

Encontra-se filiado na Federação de Folclore Português.

 

Traje do grupo Folclórico Poveiro

Os pares que o formam envergam os trajes que correspondem ao de romaria da Classe Piscatória Poveira no final do século XIX, usados quando os pescadores poveiros se dirigiam aos centros de peregrinação, para cumprir as promessas que faziam em momentos de perigo ou de doença grave.

A grave tragédia marítima de 27 de Fevereiro de 1892 que, ao vitimar grande número de pescadores poveiros, afogou a Póvoa no luto da viuvez, orfandade e familiar levou ao desaparecimento dos trajes garridos da comunidade piscatória.

Em 1936, com a fundação do Rancho Folclórico Poveiro, este vistoso traje foi recuperado, constituindo a indumentária do Grupo.

Os homens envergam as características camisolas poveiras, de lã branca, bordadas a ponto de cruz, com motivos marítimos, as calças são de branqueta, enfaixada, a cabeça cobre-se com um típico “catalão” vermelho, forrado a branqueta, e calça meias de algodão com “berloques” e chinelos de cabedal amarelo.

As mulheres vestem camisa branca e colete vermelho, apertado com atacadores, saia de branqueta, comprida e bastante rodada sobre um saiote vermelho de branqueta, à volta da cinta, para arregaçar as saias, um ourelo (cordões de lã) de cores diversas, pelas costas traçam um xaile branco e cobrem a cabeça com lenço de merino, de cores garridas. Ao pescoço usam ricos cordões de ouro nos quais penduram lindos crucifixos. Calçam meias de algodão, rendas e chinelos de verniz preto, arrebitados no bico, uma característica local.

 

Av. Mouzinho de Albuquerque, 166

4490-409 Póvoa de Varzim

(+351) 252 684 680 / 969 079 309

e-mail:


Rancho Tricanas do Cidral - Matriz

O Rancho das Tricanas do Cidral, fundado em 12 de Junho de 1920, renasceu em 1986, após largos anos de inatividade, através da Associação Cultural e Recreativa da Matriz. É composto por dançarinos, coro, ensaiador e tocata - acordeão, viola, saxofone, trompete, bombo e ferrinhos.

Rancho de raiz urbano, apresenta a mulher típica poveira, a Tricana.

 

Associação Cultural e Recreativa da Matriz

Rua Dr. Flávio Gonçalves

4490-614 Póvoa de Varzim

(+351) 252 621 028 / 918 100 873 / 964 117 586 / 252 621 028

  

Rancho Tricanas da Lapa

Fundado em 1952 na Póvoa de Varzim, renasceu em 1985, após largos anos de inatividade, através dos Leões da Lapa Futebol Clube. É composto por cerca de 50 elementos que trajam segundo a época de fundação do grupo.

Rancho de raiz piscatória, apresenta a mulher típica poveira — A Tricana, e o homem veste camisa de xadrez, típico dos pescadores.

 

Leões da Lapa Futebol Clube

Rua Pereira Azurar, 48

4490-543 Póvoa de Varzim

(+351) 252 627 070 / 919 683 003

 

Rancho de Belém

Rancho do lugar da Giesteira, de raiz rural e de tradições populares, fundado em 1953. Após um pequeno interregno, ressurgiu em 1990 através da Associação Desportiva Recreativa Académico de Belém.

É constituído por cerca de 40 elementos, distribuídos por dançadores, tocata, coro, solistas, ensaiador e diretores. A tocata é composta por acordeões, violas, reco-reco, cavaquinho, bombo e ferrinhos.

 

Associação Desportiva Recreativa Académico de Belém

Rua Almeida Brandão – Lugar da Giesteira

4490-462 Póvoa de Varzim

(+ 351) 252 612 209 / 252 613 946 / 967 078 153


Rancho Estrela do Norte

Fundado em Junho de 1954, as suas atividades foram interrompidas entre 1958 e 1963. Ao comemorar os 25 anos da sua fundação em 1979, o Rancho Estrela do Norte foi lembrado pela comissão de festas de S. Pedro, fazendo-o renascer. A tocata é composta por saxofone, trompete, acordeão, viola, bombo, castanholas e ferrinhos. Rancho de raiz urbano, apresenta a mulher típica poveira — A Tricana.

Desde 1986 o Rancho Estrela do Norte está agregado à Secção Cultural do Centro de Desporto e Cultura Juve-Norte.

 

Centro de Desporto e Cultura Juve-Norte

Apartado 381

4490 Póvoa de Varzim

(+ 351) 252 681 872 / 965 358 899


Grupo recreativo e etnográfico “as tricanas poveiras”

Fundado em 5 de Julho de 1993, é composto por antigos componentes de Rusgas e Ranchos Populares, nomeadamente dos Bairros da Matriz, Norte e Sul da cidade da Póvoa de Varzim.

O Grupo é composto por cerca de 40 elementos, tocata, coro, dançadores, ensaiador e direção do grupo.

Na apresentação Recreativa destaca-se a mulher da Póvoa,  “A Tricana Poveira”. Na apresentação Etnográfica podem-se apreciar os bonitos trajes urbano e rural, cópias dos originais em exposição e da pertença do Museu Municipal. A tocata é composta por acordeão, viola, cavaquinho, ferrinhos e bombo.

Encontra-se filiado no INATEL.

 

Av. dos Descobrimentos, Porto de Pesca

Apartado 136

4490-909 Póvoa de Varzim

(+ 351)  963 588 313 / 252 618 653 / 969 839 791

e-mail:

 

Rancho folclórico de s. Pedro de rates

Rancho de raiz rural, fundado em 1970, constituído por cerca de 50 elementos. Este rancho documenta os trajes, os cantares, as danças e tradições da terra e região circundante. Quanto aos seus instrumentos musicais constam as concertinas, as violas, os bombos, os ferrinhos, os cavaquinhos. Encontra-se filiado na Federação de Folclore Português desde 1981, além da filiação englobada no INATEL.

 

Associação de Amizade de S. Pedro de Rates

Rua Fonte da Cabra S, Pedro de Rates

4570 Rates

(+ 351) 965 723 986

  

Rancho Folclórico De Santa Eulália De Beiriz

Fundado em 1979, é formado por cerca de 40 elementos. É um grupo rural de feição minhota. Relativamente aos instrumentos é de destacar a concertina, o acordeão, os ferrinhos, o bombo, a pandeireta, o cavaquinho, a viola, as castanholas e o reco-reco.

 

Associação de Amizade de Santa Eulália de Beiriz

4495-386 Beiriz

(+ 351)  939 364 972

  

Rancho Folclórico Da Casa Do Povo De Aguçadoura

Fundado em 1982, é de carácter rural mas com raízes da beira-mar. Destacam-se os trajes de “Noivos”, de “Lavradeira Rica”, de “Lavradeira Pobre” e os “Domingueiros”.

 

Casa do Povo de Aguçadoura

R. da Praia, 186

4495-031 Aguçadoura

(+ 351) 252 601 251 / 968 025 098 / 252 600 090

 

Grupo folclórico de cantares e danças “os camponeses de navais”

De raiz rural, nasceu em 1983, respeitando com grande rigor os usos e costumes do povo desta Freguesia. Com a autenticidade das danças, cantares e trajes o Grupo foi integrado como membro efetivo da Federação do Folclore Português em 15 de Dezembro de 1998.

 

Rua do Outeiro, 9

4495-228 Navais

(+ 351) 252 611 845 / 939 063 691

  

Rancho Folclórico Das Carvalheiras De Argivai

Rancho de raiz piscatória, fundado em 1985. No vestuário predomina o preto e axadrezado (o preto simboliza o luto dos familiares mortos no mar, e o axadrezado tecido típico das camisolas, ceroulas e saias do povo do mar). As danças são compostas por cantares de entre Douro e Minho, embora adaptadas ao folclore.

 

Rua Sacra Família, 1259 — Argivai

4490-210 Póvoa de Varzim

(+ 351) 252 614 863 / 252 616 933 / 963 316 268

  

Rancho Folclórico De Aver-O-Mar

De raiz piscatória/rural, foi fundado em 13 de Novembro de 1988 e  constituído por escritura pública em 20 de Julho de 1989. Sendo de uma região de Sargaceiros e Seareiros, os trajes que apresenta são essencialmente baseados no campo e na apanha de sargaço. É constituído por cerca de 40 elementos.

 

Rua da Agra 201

4490-111 Amorim

(+ 351) 252 691 803 / 966 540 941

  

Rancho Folclórico das Lavradeiras de Santa Maria De Terroso

Rancho de raiz rural, fundado em 25 de Julho de 1993.

Houve a preocupação, por parte deste Rancho, de fazer a recolha dos instrumentos de trabalho, sendo eles: roca, fuso, dobadoura, carrela, foucinhas, malho, espadeladouro, vassoura de gesta, jiga, sarilho, vara, encinho e sedeiro.

 

Rua do Paço 457

4495-582 Terroso

(+ 351) 965 370 687 / 252 691 848 / 252 691 198

  

Rancho folclórico do centro social “bonitos de amorim”

O Grupo de Danças e Cantares do Centro Social Bonitos de Amorim foi recentemente criado e batizado a 2 de Setembro de 2007. Como Amorim era uma terra de cariz essencialmente agrícola, achou por bem o C.S.B.A. exibir as suas danças e cantares, reportando-se aos usos e costumes dos antepassados, reavivando as tradições nas letras, músicas e trajes do grupo.

 

Rua Arq. Fernandes de Amorim, 30

Lugar de Cadilhe

4495-107 Amorim

(+ 351) 918 612 810

 

 

Siglas Poveiras

Foto 3 siglas

A escrita poveira.

As siglas poveiras são uma forma de "proto-escrita primitiva", já que se trata de um sistema de comunicação visual rudimentar; devem-se a colonos Vikings que passaram o seu sistema de escrita para a população poveira há cerca de mil anos atrás. As siglas eram usadas como brasão ou assinatura familiar para assinalar os seus pertences - também existiram na Escandinávia, onde eram chamados de bomärken, e de onde esta tradição provém.A escrita poveira.

Foto 4 siglas

No passado, era também usado para recordar coisas como casamentos, viagens ou dívidas. Devido a isso eram conhecidas como a "escrita" poveira, sendo bastante usada porque muitos dos habitantes desconheciam o alfabeto latino, e assim as runas adquiriram bastante utilidade. Os vendedores usavam-nas no seu livro de conta fiada, sendo lidas e reconhecidas por estes tal como nós reconhecemos um nome escrito em caracteres latino. As siglas-base consistiam num número bastante restrito de símbolos dos quais derivavam a maioria das marcas familiares; estes símbolos incluíam o arpão, o coice, a colhorda, a lanchinha, o sarilho, o pique (incluindo a grade que era composta de piques cruzados). Muitos destes símbolos são bastante semelhantes aos que são encontrados no Norte da Europa e geralmente possuíam uma conotação mágico-religiosa de proteção quando pintados nos barcos.

Foto 4 siglas

Siglas antigas podem ainda ser encontradas na atual Igreja Matriz (Matriz desde 1757) e na Igreja da Lapa (na Póvoa de Varzim), na Capela de Santa Cruz (em Balasar), em vários locais religiosos do Noroeste Peninsular e são ainda usados de forma cada vez mais ligeira por algumas famílias de pescadores. A mesa da sacristia da antiga Igreja da Misericórdia, que serviu de Matriz até 1757, guardava em si milhares de siglas que serviriam para um estudo mais aprofundado, mas foi destruída quando a igreja foi demolida. Os poveiros escreviam a sua sigla na mesa da Igreja Matriz quando se casavam, como forma a registar o evento.

As siglas eram passadas do pai para o filho mais novo, já que na tradição poveira que ainda perdura, o herdeiro da família é o filho mais novo tal como na antiga Bretanha e Dinamarca; aos outros filhos eram dadas a mesma sigla mas com traços, chamados de «pique». Assim, o filho mais velho tem um pique, o segundo dois, e por ai em diante, até ao filho mais novo que não teria nenhum pique, herdando assim o mesmo símbolo que o seu pai. O filho mais novo é o herdeiro da família, pois era esperado que tomasse conta dos seus pais quando estes se tornassem idosos. Também, e ao contrário do resto do país, é a mulher que governa e dirige a família - este matriarcado radica no facto de o homem estar normalmente a pescar no mar, sendo muito provavelmente uma reminiscência de costumes matrilocais muito antigos.