Aires
Pereira, Vereador do Pelouro do Ambiente, deu início à sessão chamando à
atenção para alguns casos que tiveram lugar no concelho e que, no seu entender,
provam que as alterações climáticas interferem, de facto, nas nossas vidas,
pondo mesmo em causa a segurança da população. Deu como exemplo a destruição,
recente, do paramento vertical de sustentação e protecção da Avenida Marginal
de Aguçadoura, entretanto reconstruído e reforçado. “Por parte do município tem
havido um cuidado imenso no que toca à protecção da população”, referiu,
lamentando ainda que, por vezes “a memórias das pessoas” as impeça de ver o
perigo em que ocorrem quando constroem demasiado perto do mar. “Hoje vemos que
as obras feitas pelo Homem são destruídas com facilidade”, observou, uma
ocorrência que, considera, é a forma de a Natureza impor o equilíbrio. “Vocês
são sem sombra de dúvida o veículo através do qual conseguimos passar a
mensagem”, apelou aos alunos presentes. “É com a vossa ajuda que contamos para
um futuro mais sustentável”.

4600
milhões de anos. É esta a idade estimada do nosso planeta. Uma longa história
repleta de mudanças ou não fosse a Terra “um planeta terrivelmente dinâmico”. O
paleontólogo frisou várias vezes que, para perceber as alterações climáticas,
tem que se olhar para a História da Terra como um todo, ou seja, contrapor o
tempo de vida humana ao tempo geológico. “Não vai ser amanhã, mas que estamos
em mudança estamos”. E uma das ferramentas que nos permitem estudar este tempo
geológico do ponto de vista do clima são, precisamente, as rochas. Através do
seu estudo os cientistas conseguiram, por exemplo, chegar à conclusão que a
temperatura média da Terra foi sempre superior à actual e que as concentrações
de dióxido de carbono nunca foram tão baixas como agora. “Quando apareceram as
primeiras trilobites as concentrações de dióxido de carbono eram 20 vezes
superiores às de hoje”. Também o nível médio das águas do mar teve variações
assombrosas. “No tempo dos dinossauros o nível estava 200 metros acima dos
valores de hoje. Há 18 mil anos tínhamos praias 110 metros acima da linha
actual”.

Nos
primórdios da Terra existiam já seres muito simples. Há 2700 milhões de anos a
Terra assiste ao auge das cianobactérias, responsáveis pela produção de
oxigénio. A teoria aponta ainda que a Terra tivesse passado por dois períodos
glaciares (o primeiro há 2200 milhões de anos, o segundo há 630 milhões) antes
de se dar a primeira grande explosão de vida há 560 milhões de anos, quando
surgem seres vivos cada vez mais complexos. “Há evidências irrefutáveis de que
a Terra já foi uma bola de gelo total”, sublinhou o paleontólogo, avançado
ainda que, quando começam a surgir estes primeiros seres complexos, a Terra era
composta por quatro grandes continentes. O Pólo Sul apresentava um clima
temperado quente e a Terra era um deserto absoluto. Fruto da deriva dos
continentes, estes foram encontrando posições diversas ao longo do tempo, uma
movimentação que continua nos dias de hoje, embora imperceptível. “Num milhão
de anos esta movimentação é muito significativa”, sublinhou.

“Um dos
segredos do clima de hoje é o fecho do Canal do Panamá há dois milhões de anos,
o que alterou as correntes marítimas. O clima actual é da responsabilidade dos
mecanismos da Corrente do Golfo, quente, e da Corrente do Labrador, fria. Se
este motor parar os oceanos transformam-se numa gigantesca panela de sopa podre.
Pode acontecer, mas não é de um dia para o outro”, frisou.

alteracoes climaticas_palestra

Assim,
percebe-se que o clima na Terra é composto por vários ciclos e está dependente
de inúmeras variáveis. Por isso, Artur Sá afirmou que “todos os dados físicos e
astronómicos dizem que nós, nesta altura, devíamos estar a entrar na era
glaciar. Mas, de facto, o aquecimento global está a travar esse processo”.
Assim, “o que está em causa é o Homem, não é o planeta que está a sofrer, é o
Homem. Estamos em extinção”, defendeu.

Da mesma
forma que as rochas permitem olhar para o passado também permitem antever o
futuro. “Daqui por 250 milhões de anos teremos outro supercontinente e Portugal
estará bem mais a Norte”, contou. “A biodiversidade actual será completamente substituída
e só mesmo os seres mais simples sobreviverão”.

Na sessão esteve ainda presente Marta Pinto, do
Centro Regional de Excelência (CRE), entidade da qual o município da Póvoa é
parceiro. A representante explicou que o CRE resulta de um esforço coordenado
de várias entidades da Área Metropolitana do Porto e de Organizações
Não-Governamentais. “Queremos promover esta ideia de que é possível encaminharmo-nos
para um mundo melhor”. Recordando que é a nossa sobrevivência que está em
risco, exibiu algumas imagens de “situações insustentáveis” fruto da poluição e
até da falta de ligação do Homem com a Natureza. No entanto, nem tudo é
negativo. Como afirmou, cada vez mais se assistem a iniciativas importantes do
ponto de vista da sustentabilidade da Terra mas “mas temos que começar a
trabalhar para mudar”.