A fotógrafa foi a protagonista da iniciativa Artes & Ofícios e deu a conhecer a sua profissão explicando aos mais novos variados aspetos do seu trabalho, desde os equipamentos fotográficos, dos mais antigos aos mais modernos, analógicos e digitais, à evolução das técnicas de revelação, do preto e branco às cores.

A sessão, muito participativa, contou também com a presença do Vereador dos Pelouros da Educação e Cultura, Luís Diamantino, que se referiu a Rita Rocha como uma pessoa apaixonada pela fotografia.

 

Integrada nas comemorações dos 20 anos da Lancha Poveira do Alto, Fé em Deus, de 2 a 24 de setembro de 2011 esteve patente na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, a exposição de fotografia “a vida é assim” de Rita Rocha.

Esta exposição com uma forte componente humana, através de 10 dípticos, retratava o pescador, em que Nuno Beirão Vieira afirma “o atual trabalho, registo etnográfico de excelência, provoca o passado na medida em que exige espaço para o presente, para a realidade do pescador do século XXI”.

 

Rita Rocha nasceu na Póvoa de Varzim, em 1978.

Licenciada em Fotografia pela University of Glamorgan em Cardiff no Reino Unido, onde viveu nos últimos 6 anos.

Em contacto com a fotografia desde muito cedo pelas mãos do pai que lhe oferece a primeira máquina fotográfica e sempre ligada às artes na sua contínua formação.

Em 2007, ganhou o 1º Prémio do Concurso Nacional de Fotografia promovido pelo Município da Póvoa de Varzim.

Em 2009, participou com algumas fotografias no Livro “Olhar a Nu”, editado pela Chiado Editora.

Expôs com outros fotógrafos em vários locais e individualmente com a exposição “Introspectus” na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto, na Póvoa de Varzim em 2009, e Fórum da Maia em 2010.

Em 2011 expõe no Butetown History and Arts Centre em Cardiff e participa pela primeira vez com a série documental “a vida é assim”, no projeto “Empty Shop”, com extensão a todo o Reino Unido.

É fotógrafa residente da companhia de Teatro e Marionetas de Mandrágora e trabalha como freelancer nos mais variados projetos a nível nacional.

Encontra-se atualmente a desenvolver investigação e registo documental daquilo que é a vida do pescador contemporâneo.

Saiba mais sobre Rita Rocha em: www.ritarocha.com

Algumas curiosidades:

– Como nasceu o gosto e o interesse pela fotografia? Quem a impulsionou para esta atividade artística e profissional?

RR: O meu pai sempre fotografou, e já o meu avô materno também fotografava. Sempre estive rodeada de equipamentos fotográficos e aprendi a utiliza‐los desde pequena.

Penso que tive a minha primeira camara com cerca de 8 anos e não parei mais de fotografar. Daí ao profissional ainda levou algum tempo. Mas foi principalmente o público e alguns amigos que me impulsionaram a fazer formação superior.

Qual a relação que gera interiormente com a fotografia e principalmente o que ela representa para si?

RR: São os momentos da vida que ficam encapsulados para sempre. Há coisas que vemos e sabemos que não se voltam a repetir da mesma forma, por isso tento preservar esses momentos fotografando‐os.

Desde o início do seu percurso como fotógrafa, centrouse mais em que temas?

RR: A imagem encenada. Talvez pela minha formação anterior teatro.

– Que tipo de máquinas e materiais usa atualmente para fotografar?

RR: Maioritariamente digital. Mas não desisti do analógico, eventualmente desenvolvo alguns projetos em filme.

– Na sua biografia refere que se encontra a fazer uma investigação e um registo documental sobre a vida do pescador contemporâneo. Tem um sentimento interior pela condição humana e pelo mar?

RR: Sim, o mar é muito importante na minha vida. São as minhas raízes. E gostando eu de fotografia documental (etnográfica) penso que faz todo o sentido este projeto.

– Que mensagem gostaria de deixar a todos os jovens da nossa sociedade, em perfeito estado de ebulição tecnológica e não só, para que gostassem ou vissem mais, estas manifestações artísticas, como a fotografia?

RR: Para que pensassem mais no que veem. Porque o ver é já inevitável na sociedade em que vivemos, onde somos bombardeados por imagens. A questão é, observarmos e pensarmos nelas.

Que projetos ambiciona para o futuro? Qual será o patamar mais alto a atingir na sua carreira?

RR: Gostaria, como já referi de voltar a estudar. Um mestrado ou mesmo um doutoramento quem sabe. Por outro lado adoraria fazer trabalho documental mais relacionado com etnografia e antropologia.