A partir de
documentação existente no Arquivo Municipal, em concreto, os passaportes, a investigadora
referiu-se ao fenómeno da mobilidade dentro do território nacional, quer por
parte de cidadãos nacionais, quer estrangeiros, no período entre 1858 e 1860.

Do estudo de 136
passaportes, Joana Leandro apurou que a esmagadora maioria da população que os
solicitou tinha como destino Lisboa e de entre os quatro tipos de validade
possíveis (8, 15, 20 e 30 dias) o pedido mais frequente era para o prazo maior,
30 dias. Quanto a acompanhante de viagem, em 1858, 9 viajavam acompanhados, em
1859, 15, e em 1860, 5, e os acompanhantes eram pessoas da esfera familiar e
servente, informou, acrescentando que apenas cinco passaportes revelavam o
motivo da viagem (pessoal e profissional).

A investigadora
concluiu ainda que a maioria dos viajantes era natural da Póvoa de Varzim e
eram do sexo masculino, excepto dois. A média de idades em 1858 era 27 anos e
31, em 1859 e 1860, sendo que 48% era casado e 42% solteiro. Entre as várias
profissões, predominam a de marinheiro, marítimo e carpinteiro e, na
generalidade, dotavam a capacidade de escrita, tendo em conta que 49% sabia
assinar o nome e os restantes não.

A análise destas
fontes do Arquivo permitiram a Joana Leandro concluir que a maioria era
solteiro até aos 25 anos e a capacidade de escrita era surpreendente em relação
às profissões (carpinteiros e outras ligadas à terra: seareiro, lavrador e
moleiro). Outra curiosidade revelada foi o motivo evocado pelas duas únicas
mulheres que solicitaram passaportes internos neste período: “para se juntarem
ao marido”.

A conferencista já
esteve no Arquivo a apresentar um outro tema que tratou num trabalho de
investigação realizado para tese de mestrado em História Regional e Local na
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa sobre “Registos de entrada dos
Expostos na Roda: contributos para a história social da Póvoa de Varzim”.

Sobre a sua
motivação por temas da Póvoa de Varzim, Joana Leandro revelou que “sempre que
possível foco os meus estudos na história local pois, na minha visão, é a
história mais próxima de nós, a mais «palpável». O nosso Arquivo tem um fundo
documental tão rico que merece ser mostrado. Para além disso, na investigação
local há a satisfação de contribuir para a memória colectiva da nossa terra”.

Sempre na terceira quarta-feira de cada mês, o
Arquivo volta a convidar a comunidade a assistir a estas sessões e a conhecerem
melhor o concelho da Póvoa de Varzim.