Desde 1980 que a
Cividade de Terroso tem vindo a ser
objecto de escavações e trabalhos arqueológicos. Hoje, podemos visitar um
notável conjunto de estruturas habitacionais, arruamentos e muralhas que dão
uma imagem aproximada do aspecto que a Cividade teria quando, há 2000 anos
atrás, fervilhava de movimento e de vida.

Uma imagem fiel
deste período foi-nos transmitida pelos trabalhos que decorreram neste ano. Um
grupo de estudantes universitários e do ensino secundário, sob a orientação do
arqueólogo municipal, colocaram a descoberto o ambiente de um espaço doméstico
de uma família que se adaptou, no início do séc. I d.C. aos novos ventos da
romanização.

Os trabalhos mostram
as alterações realizadas no local: uma construção circular castreja foi
cuidadosamente demolida e substituída por uma quadrangular, a exemplo das que,
podemos imaginar, haviam sido vistas pelo dono da casa na florescente Brácara
Augusta de então, podendo, assim, ser coberta pelas inovadoras eficientes
telhas romanas (tegulae e imbrex). Os materiais postos a
descoberto mostram-nos a sua riqueza: cerâmicas de luxo (regionais e
importadas) e uma imponente construção arquitectónica que contrastaria com as
envolventes de tipo castrejo. Podemos penetrar, assim, no ambiente íntimo da
personagem que ali habitava, adivinhar o seu gosto pelas belas peças de
cerâmica de mesa, pelo vinho da Baetica e outros luxos, que se sentem na
análise do espólio e deixam levantar o véu sobre o seu nome, que orgulhosamente
escreveu numa das peças de que tanto gostaria.

A conferência
“Medamus” abordará estes aspectos e trará o “retrato” possível deste
personagem, aberto às inovações difundidas pelos romanos que fez a síntese
entre o período castrejo e o novo mundo romano que então se abria.