A
sessão, realizada na Biblioteca Municipal, contou com a presença de Luís
Diamantino, Vereador da Cultura, e de Carlos da Veiga Ferreira, editor da
Teodolito.

O Vereador realçou a
importância e o prazer que é “continuar a receber escritores e editores na
Póvoa de Varzim”, sendo Rui Zink uma presença assídua entre nós no Correntes
d’Escritas. Aliás, foi este Encontro de Escritores que trouxe Carlos da Veiga
Ferreira de regresso à cidade após vários anos. “Até aos 18 anos passei férias
na Póvoa, depois só cá voltei no Correntes”, revelou o editor.

Sobre a obra A
Instalação do Medo
, Luís Diamantino salientou o tom em que está escrito e o
facto de a ação se desenrolar num espaço muito reduzido, “como se não houvesse
espaço”, ou quase com se fosse uma peça de teatro. “Dois homens chegam a casa
de uma mulher, que está nua, logo desprotegida, para instalar o medo”,
acrescentou Luís Diamantino, “mas a verdade é que o medo já estava instalado”.
Para o autarca, os dois instaladores do medo representam, um, a troika (o bem
vestido, de fato), o outro (de fato de trabalho), o governo, que tem de cumprir
as ordens de quem manda, e a mulher, a casa de quem eles chegam para instalar o
medo, “somos nós”.

O autor, que se
considera “poveiro adotivo”, nas suas próprias palavras, explicou ao público
presente que o ponto de partida para todos os seus livros é o real, de que não
consegue abstrair-se quando escreve. “Para além de ser escritor, sou pessoa”,
afirmou e “por isso, o que me rodeia faz parte do que escrevo e está nos meus
livros”.

Mas, se no caso de
outras obras suas, a realidade serve apenas de ponto de partida para questões
mais ficcionais, muitas delas quase premonitórias (apresente-se como exemplo O
Destino Turístico
, romance publicado em 2008, que é uma metáfora do
Portugal de hoje, na opinião de Zink), neste caso A Instalação do Medo é
mais uma forma de protesto. O escritor decidiu utilizar a sua ferramenta de
trabalho – a palavra – para se manifestar contra a situação que se vive
atualmente no país. E fê-lo por considerar que “não podemos ficar calados”, por
entender que “é necessário agir”.

Apesar da realidade cruel, porque real, de que o
livro trata, o escritor e professor universitário, com a sua ironia, cativou uma plateia interessada.