A Europa comunitária festejou o seu cinquentenário e, com ele, o percurso da geminação.

Quando em 9 de maio de 1950, Robert Schuman, propôs à República Federal da Alemanha e a outros países europeus para se envolverem na criação de uma comunidade de interesses pacíficos, realizou um acto histórico. Ao estender a mão aos adversários da véspera, não só apagava os rancores da guerra e o peso do passado como desencadeava um processo totalmente novo na ordem das relações internacionais, ao propor a velhas nações, pelo exercício conjunto das suas próprias soberanias, a recuperação da influência que cada uma delas se revelava impotente para exercer sozinha.

A Europa que, desde essa data, se constrói dia a dia representou o grande desígnio do século XX e uma nova esperança para o século que se inicia. Esta dinâmica renova-se sem cessar, alimentada pelos desafios que se colocam aos nossos países num universo em rápida e profunda mutação.

O projecto europeu tem permitido estender o braço da liberdade e democracia a tantos territórios, sobretudo após a queda do muro e Berlim em 1989.

Este clima de abertura e mudança trouxe novas perspectivas ao mundo, mas sobretudo à Europa, com um alrgamento recente a mais 10 países, provocando um novo desenho de interesses e preocupações suscitando, mais do que nunca, em todos, a mesma preocupação de sempre, procurar o entendimento das populações, a cooperação e adesão a um projecto de desenvolvimento comum.

O processo de entendimento e de cruzamento de culturas, compôs uma rede de relações que surgiram de baixo para cima, sublinhando a importância do entendimento dos vários cidadãos e a sua cooperação na construção da Europa Unida.

O conceito de uma Europa dos cidadãos, entretanto desenvolvido, um conceito tão actual , ficou ratificado no Conselho Europeu de Fontainebleau de 1984 e inscreve-se exactamente nesta linha da afirmação das populações, dos seus direitos e deveres e a sua cooperação.

A Comissão Europeia interessando-se vivamente por este processo de amizade e cooperação entre as cidades, que permitiu implicar mais proximamente os cidadãos e seus representantes eleitos na construção europeia, criou o comité ad hoc designado “Europa dos Cidadãos” também chamado comité Adonnino, logo a seguir ao Conselho Europeu Fontainebleau de 1984, para a elaboração de um relatório em que reconhecesse a geminação de cidades como um elemento fundamental do processo de integração europeia.

Assim, e por iniciativa do Parlamento Europeu, que em 1988 resolveu adoptar esse relatório, insistindo sobre a necessidade da comunidade desenvolver as geminações, a Comissão Europeia passou dispor de uma parcela do seu orçamento anual com vista a apoiar as acções comunitárias nesta área a fim de facilitar e encorajar a aproximação dos cidadãos dos Estados Membros. Se é difícil quantificar, com exactidão, a importância dessa contribuição, podemos, pelo menos, afirmar que os milhares de contactos entre cidades além fronteiras e de encontros anuais de milhares de pessoas, criaram, pelo menos, as condições e um quadro apropriado que permitisse aos cidadãos europeus uma maior aproximação e conhecimento.

Actualmente, podemos dizer, que mais de 11.000 cidades, e consequentemente milhões de cidadãos, estabeleceram laços de amizade e cooperação na Europa. As relações de amizade estabelecidas entre as cidades, foram, antes de mais, fundadas no objectivo fundamental da união europeia, de resto como está escrito nos protocolos de geminação.

O importante, contínua a ser: eliminar a desconfiança recíproca e os preconceitos existentes e reforçar o sentimento de coesão. Os encontros e os contactos pessoais entre cidadãos de diversos lugares, de diferentes meios culturais e sociais, possibilitam o alcançar destes objectivos. A verdadeira compreensão do outro e da sua aceitação pressupõe, antes de mais, a participação directa dos vários parceiros da vida local na realização de projectos em conjunto. Nesse sentido, as geminações têm contribuído, igualmente, desde a ratificação do Tratado da União Europeia, em 7 de Fevereiro de 1992, em Maastricht, para dissipar o cepticismo das populações face ao novo caminho de integração e entendimento da Europa. O papel das geminações pode, portanto, actuar a uma escala mais reduzida, mais aproximada, contribuindo para uma maior confluência das cidades, vilas e pessoas. Mas, o papel das geminações pode, igualmente, ser o de levar a população a conhecer e experimentar as novas liberdades alcançadas no quadro da nova Europa, a saber: a liberdade de circulação dos cidadãos, de mercadorias, de serviços e de capitais, alcançadas com o mercado único desde Janeiro de 1993.

É pois, por isto, que a geminação de cidades representa um elemento fundamental para associar os cidadãos e seus representantes eleitos na construção europeia e reforçar também o sentimento de adesão à União.

Contactos:
Telef: 00 351 252 298 527
Fax: 00 351 252 624 338

Email: Associação de Amizade