Para já, são 170 as crianças que inauguram este novo equipamento, frequentando a creche, o jardim-de-infância e a pré-escola. No entanto, o Centro Social encontra-se preparado para dar resposta à população idosa, aguardando-se a disponibilização de verbas para que o Lar do Idosos, o Centro de Dia e o serviço de Apoio Domiciliário possam entrar em funcionamento.

Com um investimento a rondar os 2.5 milhões de euros, a obra foi financiada, em grande parte, pela população aguçadourense, através dos peditórios porta-a-porta que se foram organizando. A construção arrancou em finais de 2004, já com o apoio da Câmara Municipal que, para além de atribuir um subsídio para obra, “ofereceu” o licenciamento do projecto e ainda os arranjos exteriores ao edifício, melhorando os arruamentos, colocando iluminação pública e lugares de estacionamento. Um contributo merecido que se veio juntar à “generosidade da população de Aguçadoura”, palavras de José Macedo Vieira, Presidente da Câmara Municipal, aquando da inauguração do equipamento. Unidos, os aguçadourenses deram forma a um movimento que o autarca considera exemplar e que resultou “num momento histórico para a freguesia”.

Sérgio Cardoso, Presidente da Junta de Freguesia de Aguçadoura desde 2001, sublinha o trabalho de proximidade entre a Paróquia e a Junta que caracterizou a idealização e construção do Centro. “Estivemos envolvidos desde a primeira hora, houve sempre uma estreita colaboração com a Paróquia e é por isso que se vêem resultados”, enfatiza. Assim, a Junta de Freguesia serviu de intermediária entre a Paróquia e diversas entidades, lidando com os aspectos práticos inerentes a um projecto do género. Sérgio Cardoso congratula-se também, por, finalmente, a freguesia contar com um equipamento social que permite receber crianças com todas as condições e comodidades necessárias, um bem-estar que se irá estender em breve à população mais idosa. De facto, o Lar, o Centro de Dia e o serviço de Apoio ao Domicílio irão trazer benefícios mais do que necessários aos aguçadourenses, que só encontram estes serviços noutras freguesias e até mesmo noutros concelhos.

João da Rocha Eiró é Pároco da freguesia há já 16 anos e de Cândido Pedrosa, seu antecessor, recebeu a “pesada” herança de levar a construção do Centro a bom porto. As primeiras dificuldades prenderam-se com a localização do equipamento. Depois, foi a falta de verbas que ameaçou todo o projecto, com o Ministério da Segurança Social e do Trabalho a informar que só disponibilizaria a verba necessária em 2007. “A obra começou há cinco anos, sem quaisquer subsídios ou ajudas por parte do Estado”, lembrou o Pároco, uma decisão que se prendeu com a falta de condições do Salão Paroquial, que na altura recebia as crianças em idade pré-escolar, e também com a necessidade de criar condições para prestar assistência a idosos. “A construção do Centro demonstra também a disponibilidade da Igreja para se envolver com a comunidade no sentido de encontrar novas soluções para os problemas sociais, de contribuir para que a sua comunidade tenha uma vida melhor”.

 

Centro Social e Paroquial de Aguçadoura – valências e capacidade

Centro Social Agucadoura

Com uma área total de 7.500 metros quadrados, o Centro divide-se em dois pisos, contando ainda com uma zona exterior para circulação e de espaços verdes. Terraços, varandas e grandes janelas que deixam entrar a luz natural são outros aspectos que caracterizam o Centro.

No rés-do-chão funcionam a creche, o jardim-de-infância e a pré-escola, em horário alargado, das 7h40 às 19h00. As vagas foram já todas preenchidas, sendo que as 170 crianças inscritas têm idades compreendidas entre os 4 meses e os 6 anos.

Ainda no rés-do-chão ficou instalado o refeitório, a cozinha e as salas de apoio, assim como o espaço a ser preenchido, futuramente, pelo Centro de Dia, preparado para receber 30 utentes, e pelo serviço de apoio ao domicílio, que permitirá assistir 40 pessoas.

O 1º piso, mais reservado, é totalmente ocupado pelo Lar de 3ª Idade, que terá capacidade para acolher 30 idosos. Quatro alas acolhem os quartos em estilo suite, na sua maioria duplos, havendo ainda espaço para salas de convívio e grandes varandas.

Apesar de a fase de construção estar já terminada, o Centro Social e Paroquial debate-se com a falta de verbas que permitiriam renovar o mobiliário trazido das antigas instalações e adquirir todo o equipamento necessário ao funcionamento do Lar, do Centro de Dia e do Apoio Domiciliário.

 Pouco após a inauguração, na qual esteve presente Luís Vale, director-adjunto do Centro Regional de Segurança Social, o Ministério da Segurança Social e do Trabalho atribuiu um subsídio de 80 mil euros, que o Centro Social e Paroquial aguarda ansiosamente para que se possa, entre outras coisas, mobilar a lavandaria, a copa e melhorar a cozinha.

 

Projectos para o futuro

Ciente do avultado investimento que é ainda necessário fazer no Centro, Sérgio Cardoso não deixou de apontar projectos para o futuro. Nas traseiras do edifício, e num terreno que neste momento serve de pequena horta, está pensada a construção de oito pequenas casas, com quarto, cozinha e casa-de-banho. Estas permitiriam receber utentes que, não querendo perder a sua privacidade, poderiam, ainda assim, usufruir dos serviços do Centro.

Na envolvente do Centro Social e Paroquial, Sérgio Cardoso sonha com um novo Parque Desportivo, que substituiria o existente junto à marginal, cujas condições já não vão de encontro às necessidades da população.