Antes da intervenção dos escritores, o Presidente do município da Póvoa de Varzim, Aires Pereira, fez questão de saudar a sala repleta de público e agradecer a resposta positiva ao encontro de escritores no centro da cidade e no novo Cine-Teatro Garrett, que está completamente remodelado (Veja fotogaleria).

Numa terra de mar e de pescadores, Aires Pereira divulgou que escreveu recentemente ao Governo alertando para a necessidade de voltar aos trabalhos de desassoreamento do porto de pesca, face ao número crescente de acidentes com embarcações que têm afetado esta comunidade. “Para que não hajam mais mulheres a chorar na praia…” – referiu o autarca.

Mais tarde, Manuel Rui viria a enaltecer a frase e elogiar o seu sentido poético.

Os escritores foram, ao longo do espaço de debate, dando o seu parecer de como interpretavam o tema “A literatura é um poço de liberdades”.

Leonardo Padura deu conta de que escreveu recentemente um romance que tem como vetor central a busca da liberdade pelo ser humano, procurando nesta obra abordar a liberdade ao nível social e humano e não dando importância ao ponto de vista político. Interessou-lhe mais, descreveu Padura, descrever a vida de jovens que procuram a sua identidade através de um grupo urbano como forma de fugir às massas agregadoras. Por outro lado, também centrou as atenções nos bairros dos subúrbios de Havana, que têm vindo a agregar pessoas carenciadas e que buscam a liberdade de uma vida melhor.

O escritor entende que a busca da liberdade deve ser uma “luta que o ser humano deve travar todos os dias em todo o mundo”.

Manuel Rui abordou a liberdade do escritor ou a falta dela, que obrigou muitos dos colegas de literatura a viverem no exílio. O escritor angolano afirmou: “são tantas as verdades que, tantas vezes, atrapalham as nossas liberdades”. Manuel Rui anseia pela liberdade todos os dias, até porque, lembrou, “sou um escritor que escreve sobre a liberdade com a fome à minha frente”. Por isso, foi veemente ao afirmar: “vou lutar pela liberdade todos os dias como uma musa”.

Martinho da Vila veio ao Correntes como escritor, embora seja mais conhecido em Portugal como cantor. E foi para o samba que desviou a conversa, referindo que foi a sua escola de samba que o conduziu até à Literatura e até à poesia. Foi para fazer o samba de enredo da sua escola Vila Isabel que entrou em contacto com a obra de Machado de Assis e, pela primeira vez, leu um livro completo por puro prazer e não por obrigação. Depois, noutro ano, e para outro samba de Carnaval, Martinho descobriu a poesia de Carlos Drummond de Andrade.  

O moderador José Carlos de Vasconcelos não resistiu e pediu a Martinho para interpretar o poema Sonho De Um Sonho, de Drummond de Andrade. Foi a forma perfeita para terminar a primeira Mesa deste certame, dando a oportunidade de todos se deleitarem com a voz deste brasileiro de 77 anos com a musicalidade na voz, nos olhos, nos gestos…