A 11ª edição do evento que reúne dezenas de escritores na Póvoa do Varzim contou com a presença de Isabel Alçada na sua abertura oficial. Perante uma plateia repleta de escritores, a Ministra defendeu a importância de criar leitores, uma vez que a leitura “é um estímulo ao desenvolvimento intelectual insubstituível”.

Equidade é a palavra-chave para elevar os níveis de literacia em Portugal. Para Isabel Alçada, o trabalho na sala de aula, é fundamental para colmatar a falta de incentivo à leitura nalgumas casas do nosso país. “Colocando o livro na sala de aula, temos a certeza que ninguém escapa”, referiu a co-autora de colecções como Uma Aventura. A ideia de equidade é complementada com a promoção do reforço da rede de bibliotecas escolares, para que os mais novos tenham acesso rápido aos livros. Para o efeito, dispõe-se, este ano, de 1,6 milhões de euros.

Agora como membro do governo, Isabel Alçada procura dar continuidade ao trabalho que desenvolveu como coordenadora do Plano Nacional de Leitura, cargo que para a Ministra foi o grande desafio da sua vida. O plano passou por associar a educação e a cultura, sob a máxima “cada leitor pode ser promotor de leitura”, para colocar os níveis de literacia do país a par parceiros europeus. Este objectivo foi perseguido tendo como pilares de acção as Bibliotecas públicas, a par das bibliotecas escolares e dos editores.

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A Ministra deparou-se com esta necessidade de educar para a leitura quando começou a dar aulas, e desde estão continuou a seguir esse ideal. Como escritora, defende que quando o público incide em crianças e jovens deve procurar-se: captar a atenção desde o início do livro e torná-lo irresistível para que seja lido até ao fim. “Como o fazer?” É uma questão que a própria levanta, mas para qual diz não haver uma resposta única.

Aos pais que se preocupam em despertar nas crianças o gosto pela leitura, Isabel Alçada aconselha que proporcionem aos filhos o contacto com os livros por volta dos 4/6 meses. É, no entanto, de grande importância que se comece a ler sozinho o mais cedo possível, para que se “interiorize a ligação ao livro”.

E o que devem as crianças ler? Expressando essa preocupação recorreu à citação de uma passagem da obra Da Educação de Almeida Garrett, em que o autor refere que, “deve ser um livro de história o primeiro que aos meninos se dê, uma história de factos singelamente contados em linguagem casta e fluente”.

A propósito da questão, referiu-se também à sua própria experiência: ainda criança lera O Crime do Padre Amaro (em nada condizente com as recomendações de Garrett), perguntando ao pai se seria adequado para a idade, ao que o mesmo lhe respondeu: “Percebes? Se perceberes, então é adequado”.

Por: Diana de Sousa; Isabel da Luz Pereira