Uma família numerosa, avôs, pais, tios, irmãos e a visita regular de familiares que vinham da terra à grande cidade. Uma casa portuguesa pobre mas honrada, num país em que a Igreja Católica velava e a ensinava a ser pobre e agradecido aos que nos governavam por desígnio divino.

A sua benção meu pai, dizia o menino, beijando a costa da mão direita do seu progenitor. Deus te abençoe meu filho, era a resposta acompanhada de um toque de mão, também direita, na sua cabeça. Eram os anos sessenta.

Sabe minha senhora, falava a mãe, o meu filho mais velho, é muito esperto e inteligente, podia falar dele ao senhor doutor. Sabe, com doze anos fez a comunhão solene e o crisma e passou nos exames de admissão para o ensino técnico e também para o liceu. Precisava tanto de lhe arranjar um emprego.

Foi para o Curso Comercial, o liceu era apenas para os filhos da patroa, no segundo ano letivo, com 14 anos, passou para o curso noturno, o senhor doutor tinha-lhe arranjado um emprego. Agradece ao senhor, dizia-me sempre a minha mãe. Eu agradecia corado, envergonhado.

Os primeiros tremores e amores, o pecado e o medo moravam sempre ao lado.

Só pecava depois de se confessar e comungar, esforçava-se o menino.

A reza diária do terço em casa e a visita da sagrada família. O senhor Padre Luís que apagava a televisão para que os rapazes não pecassem a ver as raparigas de fato de banho (os biquínis ainda não tinham aparecido) ou os beijos que os filmes mostravam.

Os primeiros teatros na catequese de peças só com meninos. As revistas aos quadradinhos que seu pai lhe comprava. O cavaleiro andante, o mundo de aventuras, o condor popular, ansiosamente lidos e partilhados…

Depois os livros maiores que começaram com Verne e Salgari, as sessões duplas no Carlos Alberto no central-cine ou no cine-foz com idas a pé ao domingo do Palácio à foz do Douro, sempre com medo de não entrar porque o filme nunca era para a sua idade. A descoberta do TEP-Teatro Experimental do Porto…

As eleições com Delgado, o movimento sindical e as lutas da oposição, a tropa e a ida para a guerra colonial. A pide e tudo…

As entradas têm o valor de €7 com desconto para estudantes, reformados, menores de 25 e maiores de 65, desempregados e pessoas portadoras de deficiências. Grupos de 8 pessoas pagam 5€ e sócios do Varazim Teatro €3,50.

As reservas podem ser feitas através do endereço vt@varazimteatro.org ou através dos seguintes números Varazim teatro: 916439009, ou para o Cine-Teatro Garrett 252090210 ou online no Cine-Teatro Garrett, BOL – Bilheteira Online https://cine-teatrogarrett.bol.pt/.