Espaço animado por Abel Coentrão, no qual se explora a riqueza cultural que a nossa relação com os oceanos tem, ao longo dos séculos, gerado, procura, na rota de livros desta e de outras culturas, novas palavras e expressões para ler o mar, como uma outra forma de nos tornarmos pescadores. Navegarmos juntos, alimentados pela leitura, é uma forma de gerarmos comunidade.

A iniciativa recomeça com “O Navio dos Homens”, que conta a história de um navio japonês da pesca do caranguejo, nos anos 20 do século passado, onde os pescadores trabalham até ao limite – e para lá do limite! – da sobrevivência, num quotidiano que se torna, com o passar dos dias, sinónimo de desumanização.

Em “Kanikosen – O Navio dos Homens”, de 1929, Takiji Kobayashi (1903-1933) recria em alto mar o retrato de uma sociedade submetida a um poder autoritário e opressivo: o mesmo que denunciava, na atividade sindical e política que o haveria de levar à prisão e à morte, às mãos da polícia, em 1933. A obra foi redescoberta neste nosso milénio, e eleita em 2008 “bestseller” surpresa do ano no Japão, com direito a múltiplas traduções.

O sucesso deste livro radica também na sua atualidade. Quase cem anos passados, “Kanikosen” (que significa navio-caranguejeiro) pode muito bem, hoje ainda, ser lido como um libelo contra algumas frotas de pesca industrial que, em vários pontos do globo, exploram ao limite os oceanos, em navios gigantes em que as tripulações poderiam encarnar, no seu sofrimento, as personagens que Kobayashi imortalizou.

Se quiser fazer parte desta companha, inscreva-se através do email biblioteca@cm-pvarzim.pt.