Trata-se de um projeto fotográfico que compreende um olhar despreocupado de estereótipos estéticos ou processuais académicos remetendo o espectador para um olhar comum de instantes do nosso quotidiano numa sociedade tão ‘cheia de nada’ e tão ‘vazia de tudo’.

Um olhar com ‘olhares’ para compreender o comportamento social, os hábitos, as rotinas e as ações repetitivas que estruturam a vivência humana. Como os indivíduos interagem e se adaptam ao seu “dia a dia”. Aparentemente estes ‘olhares’ podem ser sujeitos a uma interpretação recorrente ou até banal, mas é o cenário onde tudo, ou quase tudo acontece, o palco da vida.

No abandono e na destruição, a artista criou um portal para a alma e um processo comunicador de emoção, como se um espelho do seu eu interior pudesse falar, sugerindo que um olhar pode expressar mais do que mil palavras e que a compreensão vem do olhar de quem olha o outro a olhar.

Lídia Soares de Moura considera-se uma artista plástica inconformada com o seu saber e nesse sentido segue na procura e no estudo de aprender e apreender aliando a sua plasticidade ao experimentalismo conceptual numa tentativa de afirmação pessoal. A sua obra é a comunhão, uma fusão dos sentimentos, sentidos e sentires onde explora a temática ‘Mulher Cristo’, situada na compreensão do ‘Eu’ na sociedade enquanto Mulher e Indivíduo. Desde 2015, tem vindo a esboçar palavras num desafio pessoal e de autoconhecimento, uma dimensão onde revela os seus sentimentos em sintonia com a fotografia, resultado da formação artística no Curso de Pintura da ESAP.