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Póvoa de Varzim, 08.07.2013 - O 35º Festival Internacional da Póvoa de Varzim arrancou, na passada sexta-feira à noite, com uma conferência por Rui Vieira Nery.

Para
assinalar o 100º aniversário do nascimento de Benjamin Britten, o conferencista
falou sobre a vida e obra deste compositor, “uma fonte de Modernismo de rosto
humano, com descobertas inesgotáveis na música do século XX”.

“Quanto
mais ouço, mais me diz e mais toca”, confidenciou Rui Vieira Nery revelando que
Benjamin Britten reporta valores de comunicação, éticos e morais.

Natural
de Inglaterra, marcado por uma procura utópica de regressar às raízes e
reagindo contra o modelo existente, Britten era “um jovem cheio de senso
crítico e vontade de romper”. A rutura vai-se processando e vai aprofundando
convicções pacifistas e universalistas e cada vez menos se sente à vontade no
seu país.

Em 1939
influenciado pelo desenrolar da política europeia e pela crítica hostil inglesa,
resolve ir para os Estados Unidos e com ele vai Peter Pears
, “parceria pessoal e
artística muito importante porque tinha em casa um dos maiores tenores da
época”.

O
período de namoro traduz-se numa série de obras líricas, como é o caso dos
sonetos. Há vários ciclos de poesia na obra de Britten e há também obras que
tendem a recuperar canções tradicionais inglesas populares. Ao mesmo tempo, não
deixa de continuar a usar uma linguagem mais moderna, com repartições
simétricas e um desenho muito melódico.

Em 1942, já em plena guerra, a nostalgia de Britten pela sua
terra puxou-o de volta para Inglaterra, onde logo lhe encomendam uma ópera. Em
1945, estreia, em Londres, uma das primeiras óperas que verdadeiramente
consegue conquistar o público e tornar-se um clássico, Peter Grimes.

Não obstante, as oposições por
parte de alguns setores da música inglesa levaram-no a cultivar o género da
ópera e a trabalhar em obras verdadeiramente inglesas. Assim, juntamente com
Joan Cross formam um novo projeto operístico, o English Opera Group 
,  em 1947 — que dedicar-se-ia a realizar digressões.

Outro fascínio de Britten são as
crianças, sendo que escreve música para crianças, por um lado, e utiliza-as
como intérpretes,
por
outro. Gosta ainda de usar coros
infantis em música para adultos.

Em 1962, para a
reconstrução da Catedral de Coventry
, Britten foi encarregado de escrever a música para a
consagração do novo templo, surgindo assim War Requiem.

Nesta época, Britten começou a visitar a URSS frequentemente,
quer na qualidade de intérprete, quer na de regente. Nestes anos, como sempre
adaptado às circunstâncias, escreveu muitas peças para violoncelo
, onde se
inclui a
 Sinfonia
de Violoncelo e Orquestra
.

Em
1973, compôs
 Morte
em Veneza”, uma narração dos últimos dias de um romancista já de idade madura;
este retorno à ópera foi aclamado pelo público como a sua obra-prima
.

Porém,
Britten começava a sentir problemas no coração. Chegou mesmo a adiar a
intervenção médica para poder terminar
 Morte em Veneza”. Durante os — poucos —
anos que lhe restavam, Britten empenhou-se no seu terceiro e último Quarteto de Cordas
,
já limitado em certas atividades. Não obstante, recebeu assim honras públicas
que lhe serviriam de estímulo, como a nomeação de
 Lord
Britten de Aldeburgh
 pela
própria Rainha de Inglaterra
,
honra concedida pela primeira vez a um compositor britânico.

Em 1976 conseguiu
ainda passar umas férias em Bergen
onde,
mesmo assim, iniciava novas obras enquanto ali descansava. Todavia, em Novembro
desse ano, pouco depois de completar 63 anos, morreu em Aldeburgh, ao lado de
Peter Pears.

Benjamin
Britten deixa para trás uma obra que, sendo muito dispersa, tem linhas
unificadoras. Um discurso de valores que propõem um modelo de humanidade
melhor, em harmonia. Uma música eminentemente experimental e modernista que se
sobrepõe à mera pesquisa de vanguarda, revelou Rui Vieira Nery.


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