O postal – bilhete-postal, bilhete-postal ilustrado – para além de ser um meio de comunicação e valorizado enquanto recordação turística, é também um documento visual fundamental para compreendermos a evolução urbana, social e humana das comunidades. Dada a sua dimensão histórica e, por vezes, artística, o postal é hoje, também, um objeto de culto, sendo procurado por muitos colecionadores (cartofilia).

No caso da Póvoa de Varzim, os bilhetes-postais ilustrados, sobretudo os mais antigos, são testemunhos das transformações ocorridas no território, registando ainda relatos e memórias de outros tempos. São, por isso, documentos essenciais para conhecer e compreender a História Local, desde os finais do século XIX até meados do século XX.
No acervo da Biblioteca Municipal Rocha Peixoto existem diversos bilhetes-postais ilustrados (circulados e não circulados), nomeadamente em espólios doados e em pequenas incorporações particulares.
Este icónico objeto, que entrou pela primeira vez em circulação na Áustria-Hungria, no dia 1 de outubro de 1869, só chegou a Portugal em finais do século XIX.

De acordo com informação partilhada no sítio do Património Cultural, I.P. na internet, sabemos que, este ano, as Jornadas Europeias do Património serão subordinadas ao tema “Reviver, resistir, reinventar”, enquadrando-se, aqui, perfeitamente, o bilhete-postal ilustrado, que soube “resistir”, graças ao poder de se “reinventar”, permitindo-nos, hoje, “reviver” os tempos idos:

“As Jornadas Europeias do Património (JEP), iniciativa conjunta do Conselho da Europa e da Comissão Europeia, são o evento cultural mais participado pelos cidadãos da Europa, constituindo uma oportunidade de celebração do mosaico cultural europeu.
Todos os anos é lançado um tema que desafia os países participantes a criarem programas de atividades que o reflitam, tendo sempre como objetivos sensibilizar os cidadãos europeus para o valor do património cultural e para a necessidade de o preservar para as gerações atuais e futuras, e reforçar o sentimento de identidade cultural, de memória coletiva e de afirmação do património comum, cuja riqueza reside na sua diversidade.

Em 2026, o tema escolhido é “Reviver, resistir, reinventar”, apresentando-se como uma oportunidade de reflexão sobre como nas nossas sociedades – em rápida mudança e diante desafios como a crescente digitalização, a aceleração da mobilidade das pessoas, a crise climática e conflitos de todos os tipos – grande parte do nosso património, tanto material como imaterial, corre o risco de se diluir.

Este tema levanta questões sobre como priorizamos e protegemos o património cultural, como podemos aumentar a consciencialização sobre os riscos que enfrenta e como podemos salvaguardá-lo e destaca a importância de preservar a identidade cultural e histórica de todas as comunidades.”

https://www.patrimoniocultural.gov.pt/projetos/divulgacao/jornadas-europeias-do-patrimonio-2026/