Nascido no Litoral Norte de Portugal, Miguel Louro cresceu com o mar como presença constante, elemento que moldou desde cedo o seu espírito aventureiro e a vontade de descobrir o mundo.

Por volta dos 20 anos, ao receber a sua primeira máquina fotográfica, encontrou a síntese perfeita entre o gosto pelo mar, a curiosidade pelas viagens e a expressão visual – união que o levou a fotografar em diversos países ao longo das décadas.

Formou se em fotografia na Escola Calouste Gulbenkian, onde teve como mestre o Professor Nuno Barreto. Fotógrafo amador desde 1975, é autor de várias exposições realizadas em Portugal e no estrangeiro, além de coautor de diversas publicações literárias dedicadas à fotografia.

 

MAR e GENTE – A minha EX-janela virada para o mar na minha Terra Natal

«Houve um tempo em que as férias de verão deixaram de ser passadas na praia da Apúlia para regressarem à minha cidade natal, a Póvoa de Varzim. Foi aí que reencontrei um lugar de memórias, de identidade e de permanente inspiração.

Ao longo de mais de cinquenta anos dedicados à fotografia, o meu principal hobby cultural, a minha Leica foi companheira inseparável. Da janela do terraço da casa voltada para o mar, fui registando, pacientemente, a passagem do tempo: as mudanças da luz, o movimento das ondas, o trabalho dos pescadores, a presença das pessoas e a vida que diariamente se desenrolava diante dos meus olhos.

Dessa antiga janela nasceu um vasto acervo fotográfico, testemunho de um olhar contínuo sobre o mar e sobre as gentes da Póvoa de Varzim. É uma narrativa visual construída ao longo de décadas, onde cada imagem preserva um instante irrepetível.

Hoje, esse conjunto de fotografias regressa ao lugar onde tudo começou integrando esta exposição na Galeria da Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim.

As obras, apresentadas em Fine Art Print a cores, convidam o visitante a fazer precisamente o que inspira o tema desta exposição, “Sente-se”: sentar-se, contemplar, sentir e redescobrir, através da fotografia, a relação íntima entre o mar, a cidade e a memória. Porque, por vezes, basta sentarmo-nos num banco e deixar que as imagens nos devolvam o horizonte de uma janela que continua virada ao mar.»