De 11 de julho a 7 de agosto, estará patente, na Biblioteca Municipal, a Exposição “RECRIATURAS: Imagens sem dogmas nem tostões”, de João Rios.
A inauguração da mostra será às 16h00 do dia 11 de julho e contará com um Apontamento poético pelo Colectivo Silêncio da Gaveta.
“A mão criminosa não existe, a mão não sabe o que faz. Ou melhor, sabe se a cabeça der essa informação ao ‘Cão dos Dedos’. O criador explica melhor quando conclui a ‘Arrumação das Pedras’, as palavras têm gente dentro e quando se revelam há sempre alguém que diz nada ou encontra outros substantivos. Este é o país dos cus de garrafa virados ao Sol e é por via disso que arde, consta que também a trovoada faz das suas e a e-redes também faísca. Somos todos inocentes ao ponto de acharmos que não há fósforos envolvidos nisto, nem gasolina que está ao preço das guerras, mas ‘Não é Grave Ser Português’. As velas ardem nos cemitérios para alumiar as almas que já não ardem. O artista é um fogareiro que se eleva entre Romeu e Julieta, e consegue ‘Reter o Amor no Gancho do Talho’, nasceu enfeitiçado ‘No Fogo dos Outros’ e na alquimia do ‘Ópio das Tempestades’. No entanto, reserva-se aos anos em que perdeu o filtro e é bem capaz de suster a respiração ao observador pelo ‘Osso da Tristeza’. A sua quietude não tem paralelo nem rima, é um poema roubado à inquietação, ao improvável, ao imprevisto. Faça-se uma colagem de tudo isto, imagine-se um bombeiro no papel de salvador da pátria a escrever com a mangueira no ar, RECRIATURAS, e a pincelar “imagens sem dogmas nem tostões”. O poeta João Rios, desta vez para escrever poemas trocou a caneta pela tesoura. Eu imagino-o sentado a sorrir para o infinito”. José Peixoto
João Rios, nasceu depois do almoço, numa tarde tórrida de agosto de 1964. Segundo insuspeitos candidatos a biógrafos não ocorreu terramoto ou estádio delírio por causa de tal facto. Menino dos fósforos, nunca foi detido por posse excessiva de palavras, nem desvio de metáforas. Poeta com mais de uma dezena de livros editados e outros tantos mares navegados, espera escrever um dia um poema num deserto norte-africano.